Posted by Gabriel Cunha on 18 fev 2010 in ensino de ciências, pensamento crítico | 6 comments
Livros, jornais e revistas. Emissoras de TV e rádio com noticiários durante todo o dia. Google, Wikipedia, portais de notícias, blogs, Twitter, Orkut, Facebook, mais dezenas de e-mails que trazem anexos. E tudo isso é apenas parte dos canais que trazem informação de diferentes fontes.
Neste excesso, como separar a informação correta de todas as bobagens que circulam por aí?
O melhor modo é utilizar o pensamento crítico, uma das principais razões de o Ciensinando ter começado.
Pensar criticamente é compreender, avaliar e apresentar raciocínios e argumentos, pensando por si próprio.
O primeiro problema que afasta as pessoas desse conceito é a compreensão limitada das palavras crítico e crítica. Ambas têm vários sentidos, mas quase sempre crítico é aquele que aponta defeitos e faz análises negativas, e crítica é qualquer avaliação desfavorável. Esse desentendimento é resolvido com a consulta a um dicionário:
CRÍTICO
1. Que encerra crítica, análise, julgamento; que analisa (obra, atitude, evento) segundo certos critérios: Lançou-lhe um olhar crítico, analítico: um ensaio crítico sobre a obra.
2. Que é capaz de distinguir com competência o verdadeiro do falso, o bom do mau, etc.: Seu senso crítico o ajuda a tomar as decisões certas.
3. Que envolve perigo ou riscos: O navio passou por situação crítica em alto-mar.
4. Profissional que faz crítica literária, musical etc.: Os críticos elogiaram a peça.
5. Quem aponta defeitos, falhas etc.: Os críticos do governo foram severos.
Os dois primeiros itens resumem o sentido da palavra: “ser crítico” é saber analisar. Mas e a palavra “crítica”?
CRÍTICA
1. Análise para avaliação qualitativa de algo: Resolveu submeter os originais à crítica do amigo.
2. Atividade de apreciar e avaliar obra artística, científica, etc. (crítica literária, crítica musical)
3. O conjunto daqueles que exercem a crítica: A crítica foi unânime: todos elogiaram a obra.
4. (Popular) Avaliação desfavorável: Seu comportamento foi alvo da crítica de todos.
“Crítica” também é um meio de se analisar algo e não é necessariamente ruim. Logo, pensar criticamente é refletir sobre os argumentos e ideias apresentados em cada situação.

Fonte: Vestibular e Educação - G1
Exemplo: A questão ao lado, do ENADE 2009 (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), pedia que os alunos avaliassem críticas feitas pela imprensa ao presidente Lula. A pergunta foi anulada após muita polêmica na mídia, com a justificativa pelos organizadores de haver problemas de formulação no texto.
Agora responda: ao ler a questão e as respostas de cada alternativa, você acha que houve mesmo algum “problema de formulação na questão”? Ou os responsáveis pelo ENADE preferiram abafar o caso evitando uma discussão sobre propaganda política numa prova oficial?
Pensar criticamente traz uma vantagem: ao avaliar ideias e argumentos, dificilmente se é manipulado pela quantidade absurda de informação que encontramos todos os dias.
Não é uma tarefa fácil, mas sua prática constante é sem dúvida o melhor meio de se tornar consciente em relação ao mundo em que se vive.
E se ainda restou alguma dúvida, não se preocupem: esse é um texto introdutório e o pensamento crítico será um dos assuntos mais abordados nesse espaço. A riqueza de exemplos fará com que todos entendam como ele funciona e como usá-lo no dia a dia.
*Dica: uso o dicionário online Aulete, que já está de acordo com a nova ortografia. Acessem!
read more
Posted by Gabriel Cunha on 9 fev 2010 in ensino de ciências | 11 comments
Imagine a seguinte situação: o despertador toca, você levanta sonolento e descobre que o telefone celular está desligado… para piorar, não liga quando você aperta o botão.
Como você estava dormindo, imagina que a bateria descarrou durante a noite e tenta recarregá-la. Depois de alguns minutos na tomada, você percebe que o aparelho insiste em não ligar, então pensa:
“Hum, se eu tivesse outra bateria poderia testá-la no celular, aí saberia se o defeito está na anterior ou no próprio telefone!”
O pensamento acima parece óbvio e qualquer pessoa teria essa ideia se estivesse na mesma situação. Porém, a parte legal é que esse raciocínio demonstra uma aplicação direta do Método Científico!
“Peraí, método o quê?!”
Lembram que a Ciência é o esforço de descobrir e aumentar nossa compreensão de como a realidade funciona? (Não? Não se desespere, clique AQUI e recorde-se!)
Os cientistas realizam experimentos em que buscam informações sobre a natureza, mas não experimentos feitos de qualquer maneira.
Para a Ciência ser válida, eles precisam seguir algumas regrinhas, um método que serve como guia e possibilita que os resultados de alguém no Japão sejam comparados com os resultados de cientistas do resto do mundo (seus “pares”), por exemplo.
Assim, a definição de método científico tem como base a formulação de hipóteses (“o celular desligou por falta de bateria”) testadas por experimentos (como tentar recarregar a bateria ou usar uma diferente para verificar se não havia defeito).
No entanto, esse ato gera uma dúvida: quantas vezes uma hipótese precisará ser testada para se mostrar correta?
Pode parecer estranho, mas uma hipótese só é científica se for falseável, quer dizer, se por algum experimento for possível provar sua falsidade. Porque ao invés da Ciência ser sustentada por observações que reforçam uma teoria, ela procura observações que comprovam sua falsificação.
Desse modo, quanto mais uma teoria sobrevive a esta busca, maior a confiança que seja verdadeira. Vale lembrar que não existem teorias comprovadas, apenas teorias que ainda não foram derrubadas. E isso está longe de ser um problema, pois é quando uma teoria é provada errada que a Ciência mais avança.

Ciência só depois de muita observação e experimentação!
Para relembrar e terminar o texto de hoje, a palavra método vem do grego μέθοδος (méthodos) e significa “caminho para chegar a um fim”, ou seja, aplicar o método científico nada mais é do que definir um conjunto de regras básicas para desenvolver experiências que verifiquem nossas dúvidas.
Ora, fazemos isso muitas vezes em nosso dia-a-dia sem perceber, como descrevi no início desse texto… fácil né?
Para saber mais: as páginas sobre Método Científico do How Stuff Works, Wikipedia e Projeto Ockam são de grande ajuda, confira!
read more
Posted by Gabriel Cunha on 8 fev 2010 in ensino de ciências | 6 comments
Toda boa história tem um começo, então inicio esse espaço com o quadrinho abaixo, adaptado do ótimo cartunista Sydney Harris:

O desenho acima expõe uma pergunta que, de tempos em tempos, vem à tona (ou ao menos deveria):
“Como tudo começou?”
No quadrinho da esquerda um “homem das cavernas”, primitivo e com pouquíssimo conhecimento sobre a natureza. Ao lado direito, um cientista dentro de uma instalação dotada de alta tecnologia. Porém, ambos têm o mesmo questionamento.
“Como tudo começou?”
Essa imagem pode dizer muito. A princípio, pode-se pensar que ainda estamos a um longo caminho de entender algumas das principais perguntas da humanidade, como: “qual o sentido da vida” (se é que existe um); “de onde viemos e para onde vamos?” (essa é mais fácil para quem entende de Biologia e Evolução, conversaremos sobre isso daqui a um tempo); e a clássica “como tudo começou?”.
Também pode-se notar que, mesmo não sabendo – ainda – a resposta dessas questões, conseguimos feitos incríveis em relação aos nossos antepassados das cavernas. Afinal, se alguém que viveu há 200 anos já ficaria maravilhado – e assustado – com as tecnologias contemporâneas, imagine o impacto do mundo atual no personagem do primeiro quadrinho.
No entanto, se permanecemos sem essas respostas, como conquistamos tantos avanços?
Enfim, esse é o ponto crucial que sempre será discutido neste espaço. O ser humano transformou-se no que é hoje por um simples motivo: o desenvolvimento da Ciência.
Mas afinal, o que é Ciência?
Desde o início dos tempos, a capacidade de abstração humana fez com que buscássemos entender os acontecimentos da natureza. Muitos fenômenos atribuídos a deuses, entidades cósmicas ou sobrehumanas, foram explicados por meio da análise lógica dos fatos observados.
Em linhas gerais, a Ciência é o esforço para descobrir e aumentar a compreensão humana de como a realidade funciona. A palavra Ciência tem origem no latim scientia, que significa “conhecimento” – uma maneira de conseguir informação pelo uso do método científico.
É o emprego de procedimentos racionais e o grande rigor no estudo dos dados coletados em experimentos que definem a qualidade da Ciência. Essas práticas permitem distinguir se uma atividade é realmente científica (ou não) e serão o grande foco das nossas discussões e de nosso aprendizado.
Sejam bem-vindos!
* Para mais obras de Sydney Harris, acessem Science Cartoons Plus ou leiam o livro “A Ciência Ri”, disponível no site da Livraria da Física!
* Quer mais material? Visite a página de Ciência da Wikipedia!
read more