Foi uma grata surpresa receber da Editora Zahar o livro “O gênio em todos nós – Porque tudo o que você ouviu falar sobre genética, talento e QI está errado”, escrito pelo jornalista David Shenk.
Depois de pensar muito e esboçar vários começos para esse texto, resolvi esfriar a cabeça e resumir minha opinião: trata-se de um livro que deve ser lido por todos, sem exceção.
O motivo? Shenk faz uma bela defesa da habilidade humana e manda uma bomba para todos que defendem que nosso potencial é exclusivamente determinado pelo DNA, uma visão chamada de “determinismo genético”.
A frase chave do livro é:
“O talento não é algo em si mesmo, e sim um processo.”
Ao traçar perfis de gênios como Mozart e Michael Jordan, o autor deixa claro que é a busca pela excelência através de treinamento, estudo e dedicação quase obsessivos que causa o desenvolvimento de habilidades espantosas, indo de encontro ao paradigma vigente, no qual “seu DNA define suas qualidades e limitações”.
A argumentação do livro é baseada em uma enxurrada de evidências científicas sobre desenvolvimento cerebral e motor, talento, aprendizado e treinamento. Além disso, também discute novidades que a genética tem demonstrado, como o potencial de influência ambiental no comportamento dos nossos genes, um campo conhecido como Epigenética.
Confiram alguns trechos:
A ciência contemporânea sugere que poucas pessoas conhecem seus verdadeiros limites, e que a grande maioria delas não chega nem perto de utilizar o que os cientistas chamam de ‘potencial irrealizado’… A maior parte dos que possuem um desempenho abaixo da média muito provavelmente não é prisioneira de seu próprio DNA; essas pessoas têm sido apenas incapazes de alcançar seu verdadeiro potencial.
Seria um disparate afirmar que qualquer um pode literalmente fazer ou ser qualquer coisa, e esse tampouco é o objetico desde livro. Porém, a ciência contemporânea nos diz que é igualmente absurdo pensar que a mediocridade é inata à maioria das pessoas, ou que nós podemos saber quais são nossos verdadeiros limites antes de empregarmos nossa vasta gama de recursos e investirmos grande quantidade de tempo nisso. Nossas habilidades não estão gravadas dede forma indelével em nossos genes. Elas são flexíveis e moldáveis, mesmo nas idades mais avançadas. Com humildade, esperança e determinação extraordinária, qualquer criança – de 8 a 80 anos – pode aspirar à grandeza.
O assunto é complexo e escreverei mais a respeito em breve. Por enquanto, fiquem com a mensagem principal: nós não somos “prisioneiros” de nosso DNA. Com treinamento e dedicação, todos podem buscar níveis de desempenho extraordinários, e saber como isso é apoiado pela ciência é um ótimo motivo para conhecer esse livro.
“O gênio em todos nós – Porque tudo que você ouviu falar sobre genética, talento e QI está errado” começou a ser vendido no dia 31/3 e eu considero leitura obrigatória principalmente para qualquer pessoa envolvida ou interessada nos processos de ensino e aprendizagem, não deixem de conferir!
Mais informações no site da Editora Zahar em http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1191


A minha opinião a respeito sobre o assunto há muito tempo é a seguinte:
A habilidade que uma pessoa possui em alguma coisa não vem de graça (exceto, talvez, em savants, mas isso não vem ao caso). Mas o que faz uma pessoa ser muito boa em determinada coisa? Minha resposta é: amar tal coisa.
O amor por essa coisa pode ter surgido de diversas formas possíveis, algumas delas pode até não ter sentido, ou seja, uma pessoa pode começar a amar certa atividade sem que nada a leve a isso.
Pois bem, não importa de onde vem esse amor, o que importa é que quando se faz algo que realmente ama, torna-se um verdadeiro prazer realizar tal tarefa, seja um esporte, uma arte ou qualquer outra coisa. Uma vez tornando-se um prazer, nosso cérebro se concentra mais ao trabalhar nessa tarefa, ou seja, torna-se mais fácil (por ser prazeroso) aprende-la e executá-la.
Ao se amar alguma coisa você a fará o máximo que puder. Se nada na sua vida impeça que você possa realizar livremente o que ama, é muito mais fácil e rápido se destacar nessa coisa.
Creio que a única coisa que pode atrapalhar você a se destacar em algo, por mais que você ame e treine, são as limitações do corpo, assim como o contrário também é verdadeiro. Por exemplo, nadadores com ossos leves e grande envergadura têm uma vantagem física que não pode ser alcançada por outros que não as têm.
Vontade de ser bom em alguma coisa é bom, mas muitas vezes não basta. Você deve amar essa coisa, e amar algo não é uma coisa que, creio eu, possa ser forçada.
Essa é minha opinião, e creio que faz muito sentido. Nunca conheci alguém que seja bom em alguma coisa sem que ame tal coisa. Os exemplos estão por toda volta, os melhores atores que existem sempre dizem que atuarão enquanto tiverem saúde pra isso, a mesma coisa para atletas, empresários, etc.
Não existe ter talento em algo, mas sim AMAR algo.
Grande abraço e parabéns pelo excelente blog.
Victor Gerhardt
http://nerdice.com/
estou interessada na leitura! Esse assunto foi tema de um dos livros do jornalista Malcolm Gladwell, o Outliers. Em um capítulo do livro, ele toma como base pesquisas do K. Anders Ericsson sobre as 10 mil horas de exercício etc. que demonstram que QI não é tudo.
Oi Alessandra, tudo bem?
Grande parte do livro do Shenk também é baseada nas pesquisas do Ericsson. Também tem muitas outras que fornecem ótimas evidencias sobre treinamento e dedicação, ao invés de “aptidão inata”.
O livro é realmente excelente, mudou a minha maneira de enxergar o meu dia a dia, recomendo para todos mesmo!
Abraços!
Realmente reveladora e motivadora.