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Histórias da Ciência: os 144 anos de Marie Curie.

Histórias da Ciência: os 144 anos de Marie Curie.

Hoje é um dia especial para quem gosta de Ciência, de suas grandes descobertas e dos personagens responsáveis pelos crescentes avanços de conhecimento e tecnologia.

Há 144 anos nascia uma mulher que se sagraria como a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel sozinha e, não satisfeita, conseguir o tão sonhado prêmio em duas ocasiões. Marie Curie sem dúvida merece, ainda hoje, todo o reconhecimento por seu gênio. Não é à toa que até o Google prestou sua homenagem com um de seus Doodles em comemoração a seu 144º aniversário de nascimento.

Homenagem do Google a Marie Curie.

Polonesa da cidade de Varsóvia, nasceu Marie Sklodowska em 1867. Seu pai era professor secundário e, para os que discordam que “educação começa em casa”, foi responsável por seu treinamento científico inicial.

Marie Curie (1867-1934)

Com receio das consequências que seu envolvimento em movimentos estudantis revolucionários poderia ocasionar numa Varsóvia ocupada pela Rússia, mudou-se para Cracóvia, então território austríaco. Em 1981 foi para Paris, onde continuou seus estudos e formou-se em Física e Matemática na Universidade Sorbonne. Lá conheceu seu futuro marido, Pierre Curie, Professor da Faculdade de Física, casando-se um ano depois.

Em 1903 conseguiu seu título de Doutora em Ciências, além do disputado Prêmio Nobel de Física. Em 1911 repetiria o feito, dessa vez ganhando o Prêmio Nobel de Química. Os dois prêmios foram relativos a seus trabalhos pioneiros com a radiatividade dos elementos químicos.

Faleceu em Julho de 1934, mas revolucionou o mundo científico como um todo durante sua vida. Marie Curie é, sem dúvida, um exemplo para as mulheres e para toda e qualquer pessoa interessada em Ciência.

 

Fonte: Nobel Lectures, Physics 1901-1921, Elsevier Publishing Company, Amsterdam, 1967.

Quer saber mais? Recomendo a leitura do artigo “A pioneira entre os mestres”, escrito por Pascal Marchetti-Leca e publicado no portal da revista História Viva.

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O petróleo na transformação da educação brasileira!

O petróleo na transformação da educação brasileira!

Todo brasileiro que acompanha os jornais sabe que existe uma grande discussão sobre como dividir os lucros do petróleo do pré-sal desde o anúncio da descoberta dessa reserva. O que é pouco discutido, no entanto, é o que será feito com esse dinheiro.

Pensando na grande necessidade de o país investir de modo pesado Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) criaram uma Petição Pública para sensibilizar o Governo Federal e o Congresso Nacional sobre a importância de garantir recursos para as áreas citadas na distribuição dos royalties do pré-sal.

A meta da Profa. Dra. Helena Nader, presidente da SBPC, é conseguir 1 milhão de assinaturas apoiando proposta. Para contribuir é simples: acesse o link abaixo, assine e compartilhe a ação com seus contatos!

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PL8051

É fato que esses investimentos são essenciais para alcançarmos o patamar de liderança e desenvolvimento que queremos. Para que o Brasil deixe de ser “o país do futuro”, o único caminho é o foco em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação!

Para mais informações sobre a petição visitem o seguinte artigo do Jornal da Ciência http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=79277.

Eu já assinei, contribua e divulgue!

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Coma as ervilhas e assopre as velinhas!

Coma as ervilhas e assopre as velinhas!

Gregor Johann Mendel (1822-xxx), o padre cientista.

Você estranhou as ervilhas da página inicial do Google no dia 20/07/2011?

Pois saiba que a imagem é, na verdade, uma bela homenagem da empresa à data de nascimento de um dos nomes mais importantes de todos os tempos na Biologia, o monge Gregor Johann Mendel, que completaria hoje seu 189º aniversário!

Muitas vezes chamado de “Pai da Genética”, Mendel e suas famosas “Leis de Mendel” são tema obrigatório nas aulas de Biologia. Se você não sabe do que estou falando, aproveite para conhecer um pouco dessa história e fazer aquela cara de “humm, já ouvi falar disso” quando seu professor entrar na matéria.

Uma curiosidade: ao nascer em 1822, ele foi batizado como Johann Mendel e só adotou o nome Gregor quando entrou para a Abadia Agostiniana de São Tomás em Brno (República Tcheca), em 1843, aos 21 anos. Em 1851 ele foi enviado à Universidade de Viena para continuar os estudos, e retornou dois anos depois a Brno como professor da Abadia.

E a genética?
Inspirado a estudar a variação de características de plantas, ele utilizou o jardim experimental do monastério, plantado pelo abade anterior em 1830, para cultivar e estudar quase 30 mil exemplares da ervilha Pisum sativum entre os anos de 1856 e 1863.

Foi a análise desses experimentos que possibilitou a ele fazer duas generalizações que viriam a ser conhecidas como Leis de Mendel. A primeira foi chamada de lei da segregação ou lei da pureza dos gametas, e a segunda recebeu o nome de lei da segregação independente. Mas o foco hoje é Mendel e as leis serão discutidas em outras ocasiões!

Bela homenagem do Google ao 189º aniversário de Mendel.

Seu trabalho “Experimentos com hibridização de plantas” (do original Versuche über Pflanzenhybriden, saúde!) foi publicado em 1866 depois de ser apresentado em duas reuniões da Sociedade de História Natural de Brünn, na Morávia (também na atual República Tcheca). No entanto, seu trabalho teve pouco impacto na época, e em nenhum momento foi compreendido como um ponto importante para se começar a entender a hereditariedade.

Mendel então tentou estender seus estudos a animais ao trabalhar com abelhas, mas ao ser nomeado abade de São Tomás, em 1868, sua carreira científica acabou devido à grande quantidade de tarefas decorrentes desse cargo de chefia.

Sem continuidade e com pouca divulgação, seus achados ficaram praticamente esquecidos por mais de 30 anos. Foi só no começo do século XX que seu trabalho foi “redescoberto” pelos acadêmicos, até que suas Leis foram combinadas à Teoria da Seleção Natural proposta por Charles Darwin no que foi chamado de Síntese Moderna, outro ponto que abordarei no futuro.

Um trabalho inicialmente rejeitado, criticado e incompreendido tornou-se a chave para o desenvolvimento de todos os estudos futuros sobre hereditariedade. Mendel não presenciou o impacto de seus estudos no progresso da Biologia, mas sem seu esforço estaríamos muito atrasados na compreensão da transmissão de características entre gerações.

Assim funciona a Ciência, resultados importantes tardam, mas não falham em ser reconhecidos!

E, para finalizar, um grande parabéns a Mendel!

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Botões, colheres e a química na história! (PRÉVIA)

Botões, colheres e a química na história! (PRÉVIA)

Chegou ao laboratório no dia 15/07/2011 (data de seu lançamento) o livro “A colher que desaparece”, gentilmente enviado pela Editora Zahar, que já está se tornando parceira desse blog! Por motivos médicos – fiquei de cama por causa de uma amidalite – só hoje o livro chegou às minhas mãos, e tenho curtido muito as surpresas que a Zahar tem me proporcionado (eles nunca avisam se vão mandar alguma coisa).

Dessa vez, no entanto, farei algo um pouco diferente da resenha. É óbvio que ainda não li o livro, mas estou terminando de ler “Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história”, lançado em 2006 também pela Zahar, que comprei no começo desse ano.

Como os dois títulos têm aspirações semelhantes, ou seja, a divulgação científica com foco em química, a ideia é fazer uma análise comparativa dos livros, além das individuais. Vocês saberão o que cada livro tem de bom, o que poderia ser melhor, e a minha indicação para o caso de você precisar escolher um dos dois. Sem esquecermos, claro, que leitura nunca é demais e que o que publicarei será a minha opinião, uns concordarão, outros não.

Enquanto em “Os botões…” os autores descrevem a influência da química na história da humanidade a partir da análise de 17 grupos de moléculas, em “A colher…” o foco é mais amplo, pois trata desde a descoberta dos elementos químicos, da estrutura do átomo e das histórias mais interessantes sobre os elementos da Tabela Periódica.

Se quiser saber um pouco de cada livro antes de ler as resenhas, acesse o site da Editora Zahar em:

Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história

A colher que desaparece – e outras histórias reais de loucura, amor e morte a partir dos elementos químicos

Você já leu algum dos livros? Compartilhe sua opinião e impressões nos comentários!

 

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Sobre o “Simpósio em Educação” da SBBq 2011 e os pontos-chave do ensino de ciências.

Sobre o “Simpósio em Educação” da SBBq 2011 e os pontos-chave do ensino de ciências.

Como vocês sabem, estive na 40ª Reunião da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular.

Hoje compartilho a excelente discussão que aconteceu no Simpósio em Educação, para mim o ponto alto da SBBq 2011!

O Simpósio foi presidido pelo Prof. Dr. Jorge Guimarães, atual presidente da CAPES. Ele apontou que desde 2008 a CAPES atua na Educação Básica e destacou a criação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (o PIBID, que será comentado num outro post), que conta com 30 mil bolsistas. O Prof. Jorge comentou que “a pós-graduação será salva pela educação básica” e que “a pós-graduação passou por um processo de seleção ‘darwiniano’, aproveitando os melhores alunos de iniciação científica, graduação etc.”. Pelo que entendi essa declaração está relacionada ao pouco apelo que as carreiras em ciência e em docência têm atualmente, como os demais participantes comentaram em seguida.

O Prof. Giuseppe Pelegrini, da Universidade de Padova (Itália), falou em nome da iniciativa Observa – Science in Society, um centro de pesquisas focado na interação entre ciência, tecnologia e sociedade. Com o objetivo de estimular o diálogo entre pesquisadores, políticos e cidadãos, dentre suas atividades está auxiliar o projeto ROSE – The Relevance of Science Education (“Relevância sobre a Educação em Ciências”), que constitui uma rede de 42 países. Reservei um post para detalhar essas informações, mas os próximos parágrafos resumem alguns pontos de destaque.

Os estudantes sabem da importância de se estudar ciência, mas têm pouco interesse nos tópicos abordados. A maior curiosidade está relacionada às doenças (tratamento e prevenção), substâncias perigosas, astronomia e energias alternativas. Já a carreira científica não é atrativa para a maioria dos estudantes dos países da rede, que afirmaram preferir trabalhos que envolvam criatividade, independência, tempo para si, fama e sucesso.

A maioria dos entrevistados acredita nos benefícios da ciência e 50% que a mesma ajuda a desenvolver nações. No entanto, muitos acreditam que os benefícios que a ciência pode proporcionar não são maiores do que os efeitos adversos que podem surgir de seu desenvolvimento.

Quando perguntados sobre as pessoas-chave na escolha de uma carreira científica, responderam: bons professores, mãe/madrastas, pai/padrastos, orientadores vocacionais, irmãos ou parentes. Quando a questão foi sobre os fatores-chave que levariam a essa escolha: laboratórios nas escolas; escola secundária direcionada (técnica, vocacional etc.) e, novamente, bons professores.

Considerando esses achados não há discussão sobre o papel fundamental do professor no relacionamento dos estudantes tanto com as matérias de ciências como com a propensão dos alunos a seguirem uma carreira científica!

O segundo convidado foi o Prof. Justin Dillon, do King´s College of London (Inglaterra), que falou sobre o projeto Science Education: Interest, image and identity (Educação Científica: interesse, imagem e identidade). Ele reconheceu que existe “um problema mundial na educação, pois os alunos têm pouco interesse nas aulas de ciências devido à educação científica não evoluir ao longo do tempo”, e que a minoria dos alunos prefere as ciências em relação às outras matérias. Um ponto importante é o que países menos desenvolvidos têm alunos mais interessados na área científica, fato que o Prof. Dillon relacionou a os alunos perceberem a carreira em ciência como uma maneira de melhorar sua situação econômica e social.

Outro comentário interessante foi: “Somos muito bons em selecionar estudantes que não gostam de ciência, mas são muito bons na mesma! Onde estão os alunos interessados?”. Ele relacionou a mesma ao depoimento de um aluno:

“Quando tinha 13 anos comecei a aprender sobre moléculas e átomos e achei aquilo demais, tanto que cheguei em casa e logo fui contar à minha mãe! Mas daí no ano seguinte continuei aprendendo a mesma coisa, e depois a mesma coisa, e a mesma coisa… isso é tão repetitivo!”

Em seguida o Dillon comentou o relatório “Europe needs more scientists” (A Europa precisa de mais cientistas, de 2004), e que “deveríamos providenciar a educação científica não para formar novos cientistas, mas porque toda criança precisa ter na ciência algo familiar”. Após mostrar dados relatando que 28% dos alunos já pensam em se tornar cientista ou em carreiras científicas aos 11 anos, afirmou que os países europeus devem se certificar que os professores tenham a melhor formação possível e que a abordagem científica seja feita logo nos primeiros anos de estudo, com foco em acontecimentos naturais e foco prático.

Mais uma vez foram mostrados dados que afirmavam: os professores são as pessoas mais importantes em motivas os alunos a seguirem carreiras científicas! Segundo ele, o ideal é tornar a educação científica algo relacionado às respostas emocionais, abrindo o leque “testar, predizer, argumentar, experimentar”. Segundo ele, a diferença de foco de museus (o engajamento dos visitantes) e de escolas (transmitir o conteúdo) pode ser a explicação para o sucesso dos primeiros.

Quem encerrou as apresentações foi o Prof. Dr. Nélio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, com “Os jovens e a ciência – resultados preliminares do projeto ROSE – Brasil”. Os resultados de um estudo piloto comparando a percepção de aproximadamente 600 alunos das cidades de São Caetano do Sul (que possui alto IDH, é metropolitana e tem foco nos setores de serviços e industrial) e de Tangará da Serra (que apresenta problemas ambientais e constitui um pólo agroindustrial).

Tangará demonstrou mais interessados em empregos na área científica e alta tecnologia, ao contrário do que foi observado para os alunos de São Caetano do Sul. Foi uma repetição do padrão comentado pelo professor Pellegrini: a região menos desenvolvida teve mais alunos interessados em Ciências.

Outro fato curioso foi a melhor aderência ao projeto em centros pouco desenvolvidos. Parece ser comum acontecerem problemas em grandes centros urbanos, será que locais mais desenvolvidos têm tantas “preocupações” que não conseguem participar dessas iniciativas? Num estudo exploratório em duas escolas de SP houve desconforto da comunidade escolar com a aplicação do questionário. Professores sentiram-se pressionados em relação ao desempenho de seus alunos, enquanto os alunos acharam desestimulante a atividade não ser revertida em avaliações na escola (notas, ranking da escola etc.). Minha observação é de que tais observações apontam a nossa falta de cultura em relação à importância desses testes para diagnosticar problemas e melhorar as condições de ensino.

Ao abordar a questão “Quero ser um cientista”, o Prof. Bizzo mostrou-se surpreso e preocupado com a grande rejeição em todas as regiões do Brasil. Pensei que poderia haver um problema com a pergunta feita, pois acredito que perguntar sobre uma profissão específica traga resultados geralmente baixos. Comentei esse fato com o Prof. Dr. Bayardo Baptista Torres, de quem fui aluno de Bioquímica e que estava sentado ao meu lado: “qual seria o resultado de uma pergunta como ‘quero ser arquiteto, bancário, farmacêutico etc.’?”

O Prof. Bayardo concordou que o resultado “ruim” poderia ser uma diluição natural da aceitação de uma profissão, mas ressaltou que de qualquer modo a carreira científica não é percebida como atrativa pelas pessoas em geral. Para o Prof. Jorge Guimarães “a explicação de os estudantes não quererem ser cientistas está relacionada à má qualidade dos professores da educação básica”!

Ou melhoramos o ensino, ou as salas de aula de cursos científicos ficarão assim...

Minha opinião é que todos têm razão: são necessários grandes esforços para tornar da Ciência algo palatável, presente e “comum” para os cidadãos interessados ou não no tema. Algo que foi ao mesmo tempo preocupante e trouxe um pouco de alívio foi descobrir que esse é um problema mundial, e todos estão pensando em maneiras de resolvê-lo.

Espero ter muitos casos de sucesso para relatar por aqui!

O primeiro relato dessa viagem está em “Congressos científicos: o que são e por que são importantes?” Confiram também uma entrevista em “Confissões de uma estreante em congressos científicos”.

ps: peço desculpas pelo texto gigante, mas pensei que dividi-lo em partes seria pior e mais confuso.

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Confissões de uma estreante em congressos científicos.

Confissões de uma estreante em congressos científicos.

Comentei no primeiro post sobre congressos científicos e a SBBq 2011 que havia conseguido conversar com participantes que estreavam nesse tipo de evento. A ideia era saber desses alunos suas expectativas, receios e impressões sobre essas reuniões.

Uma dessas pessoas é a carioca Julia Miranda, de 19 anos, aluna do terceiro período do curso de Ciências Biológicas (ênfase em Biotecnologia) do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Ela não só participou de um congresso pela primeira vez como apresentou parte do seu trabalho de Iniciação Científica (IC) em Bioinformática e, para fechar sua estréia com chave de ouro, teve seu trabalho na lista de premiados com o “SBBq Awards” em sua área!

A aluna de graduação Julia Miranda e seu poster: vencedores do SBBq Awards 2011.

Sem dúvida uma bela primeira participação, não? Conheçam um pouco mais dela e de suas impressões sobre a reunião conferindo o nosso papo que transcrevi para o blog:

Como essa foi a sua primeira participação em congressos, quais eram as suas expectativas em relação ao evento, o que mais te agradou e do que menos gostou?
Eu realmente me surpreendi bastante com o congresso, foi mais proveitoso do que eu esperava. Achei que ia ficar totalmente perdida, fora dos assuntos por estar no inicio da faculdade ainda. Na verdade dava pra ter uma boa noção do que falavam nas palestras, principalmente quando a pessoa sabia se expressar bem. O que mais me deixou feliz foi ter participado e ganhado o ‘SBBq Awards’ na minha área. Nossa, eu não estava esperando mesmo, quando falaram meu nome até exitei em ir lá receber o trofeuzinho. Achei que essas premiações que eles fizeram são um grande incentivo pra quem está começando. E a minha grande decepção do congresso foi o inglês sofrível de alguns palestrantes. Bem constrangedor na verdade. Fora isso minhas expectativas foram bem atendidas e achei que o congresso foi um tipo de animador pra mim. Ver que tem gente fazendo o que você gosta e conhecer pessoas interessantes.

Foi a primeira vez que você apresentou seus dados da iniciação científica para avaliação? O que achou da experiência?
Como eu disse, me surpreendi demais. Nunca ia imaginar ganhar prêmio de cara. Claro que me dediquei pra fazer o poster da melhor forma que eu podia, mas não esperava tanto. Mas mesmo que não tivesse ganhado nada, a experiência foi bem interessante. Algumas pessoas foram até meu poster e fizeram perguntas bem legais e pareceram interessadas. É bem gratificante ver que alguém foi ver o seu trabalho e está disposto a conversar sobre o assunto.

Exposição de trabalhos na SBBq 2011. Não faltam concorrentes aos prêmios em cada categoria!

Há quanto tempo você participa da Iniciação Científica e como começou essa história?
Eu estou há uns 8 meses na IC. Bem, comecei lá mais pra experimentar mesmo. É claro que já imaginava um pouco de como seria, mas só na prática mesmo pra saber como as coisas são. Estou gostando porque é diferente fazer um trabalho de faculdade e um trabalho de um projeto que engloba outras pessoas, é mais responsabilidade. Além de saber que o que eu faço pode ser aplicado de verdade.

Você acha que o congresso contribui para a sua pesquisa e a sua graduação?
Sim, com certeza. Fora o fator impulsionador, havia palestras e pessoas falando sobre assuntos do meu interesse. O conteúdo em si das palestras foi um pouco dificil de pegar porque ainda estou no terceiro período da faculdade. Mas vi muita coisa que aprendi nesse tempo e isso também foi ótimo. Ver meu aprendizado sendo falado no trabalho de outras pessoas. Além disso, eu tenho tanto interesse em bioinformática quanto em neurociência. Um congresso grande como esse abordou ambos os assuntos, também gostei bastante disso.

Passado o evento, você considera importante participar de congressos?
Considero sim. Achei que foi uma forma de se manter atualizado, ver o que outras pessoas estão fazendo na sua área e de conhecer pessoas que gostam do mesmo que você. Bem, pelo menos pra mim que sou de bioinformática, que é uma área recente, achei bem útil. Mesmo porque, por mais que você fique boiando durante a palestra, dá pra pegar o nome do autor e dar uma lida no trabalho dele depois. E como eu disse, ver que tem outras pessoas interessadas no mesmo que você é bem legal. Na minha opinião esse tipo de congresso é importante também pra fazer as pessoas interagirem e trocarem, ninguem pode viver isolado né. E pra quem está começando é importante saber como as coisas funcionam e praticar. No final das contas foi bem legal participar, fora a chance de seu trabalho ser reconhecido com um prêmio por mais simples que seja.

A opinião da Julia reflete a de muitos “veteranos” em congressos: o grande ponto positivo dessas reuniões é o contato com pesquisadores e interessados em diferentes áreas científicas. Conversar sobre os problemas em laboratório, dificuldades e soluções encontradas em projetos e compartilhar resultados preliminares são atividades essenciais nesse tipo de evento.

Reparem também que ela ressaltou a importância do Inglês: como muitos eventos que acontecem no Brasil são organizados como internacionais (mesmo que a imensa maioria dos participantes seja de brasileiros), a língua inglesa, fundamental para quem trabalha com ciência, é um ponto-chave. Professores e alunos devem prestar atenção a esse ponto e se dedicar ao máximo para entender o idioma.

Minha ótima conversa com a Julia não parou por aqui, também falamos bastante sobre Educação num papo que tratou do Ensino Fundamental à Universidade. O final dessa entrevista vocês receberão depois que eu escrever sobre o Simpósio em Educação que aconteceu no congresso e rendeu ótimo material!

Não percam os próximos textos gerados na SBBq 2011, vem mais coisa boa por aí!

Para terminar: quer compartilhar suas primeiras impressões sobre esses eventos ou comentar outro ponto da conversa? O espaço de comentários é todo seu!

ps: quero ver quem pega a referência no título do post!

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