Ciensinando

Botões, colheres e a química na história! (PRÉVIA)

Botões, colheres e a química na história! (PRÉVIA)

Chegou ao laboratório no dia 15/07/2011 (data de seu lançamento) o livro “A colher que desaparece”, gentilmente enviado pela Editora Zahar, que já está se tornando parceira desse blog! Por motivos médicos – fiquei de cama por causa de uma amidalite – só hoje o livro chegou às minhas mãos, e tenho curtido muito as surpresas que a Zahar tem me proporcionado (eles nunca avisam se vão mandar alguma coisa).

Dessa vez, no entanto, farei algo um pouco diferente da resenha. É óbvio que ainda não li o livro, mas estou terminando de ler “Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história”, lançado em 2006 também pela Zahar, que comprei no começo desse ano.

Como os dois títulos têm aspirações semelhantes, ou seja, a divulgação científica com foco em química, a ideia é fazer uma análise comparativa dos livros, além das individuais. Vocês saberão o que cada livro tem de bom, o que poderia ser melhor, e a minha indicação para o caso de você precisar escolher um dos dois. Sem esquecermos, claro, que leitura nunca é demais e que o que publicarei será a minha opinião, uns concordarão, outros não.

Enquanto em “Os botões…” os autores descrevem a influência da química na história da humanidade a partir da análise de 17 grupos de moléculas, em “A colher…” o foco é mais amplo, pois trata desde a descoberta dos elementos químicos, da estrutura do átomo e das histórias mais interessantes sobre os elementos da Tabela Periódica.

Se quiser saber um pouco de cada livro antes de ler as resenhas, acesse o site da Editora Zahar em:

Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história

A colher que desaparece – e outras histórias reais de loucura, amor e morte a partir dos elementos químicos

Você já leu algum dos livros? Compartilhe sua opinião e impressões nos comentários!

 

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Descobrindo mundos

Descobrindo mundos

Nanotecnologia, microprocessadores, biotecnologia. Estamos acostumados a pensar nas coisas numa escala reduzida, um exemplo de como o nosso modo de pensar em determinado momento histórico é, em parte, produto da tecnologia à disposição.

Algum tempo atrás comecei a pensar em qual avanço tecnológico teria sido a maior contribuição para as Ciências Biológicas. Não estava tentando determinar o maior avanço ou a tecnologia mais complexa, mas a mais revolucionária.

Após considerar vários fatores, cheguei à minha conclusão: apesar de todos os avanços que vimos no último século, nada revolucionou tanto o mundo da Biologia como o microscópio!

Acredita-se que o primeiro microscópio tenha sido criado pelo holandês Hans Jannsen e seu filho Zacharias por volta de 1590. Os primeiros modelos não passavam de lentes de aumento mais potentes, mas seu impacto no estudo da natureza foi o grande responsável pelo desenvolvimento da Biologia que conhecemos hoje.

Foi assim que entre 1663 e 1664 Robert Hooke produziu o livro Micrographia, publicado em 1665. Além de ilustrações de suas observações, foi nesse livro que “nasceu” um dos termos fundamentais da Biologia. Ao observar cortes finos de cortiça, Hooke comparou a estrutura da cortiça às pequenas acomodações em que os monges viviam, que de tão apertadas pareciam celas de uma prisão. As “celas” de Robert Hooke (do Inglês cell) foram o momento em que o termo célula foi criado. Não é a toa que esse livro foi o primeiro best-seller científico da história.

Robert Hooke (1635-1703; esq.), autor de Micrographia (centro) que cunhou o termo célula observando cortes de cortiça (dir.).

Antoine Philips van Leeuwenhoek, por sua vez, é conhecido como o “Pai da Microbiologia”. Ele é considerado o primeiro microbiologista, pois ninguém antes dele havia observado e descrito organismos unicelulares. Inicialmente chamados de animáculos, quem hoje em dia nunca ouviu falar de microrganismos? O problema foi que em 1676, quando Leeuwenhoek comunicou seus achados à Royal Society of London (Sociedade Real de Londres), ninguém sequer imaginava a existência de seres vivos invisíveis a olho nu, de modo que a descoberta contestada. A reputação do cientista foi posta em cheque até a aceitação de suas observações, o que só aconteceu em 1680.

Leeuwenhoek (1632-1723; esq.), seu microscópio (centro) e o microscópio utilizado por R. Hooke (dir.).

Pensando em Hooke e Leeuwenhoek, fica evidente a importância do microscópio. Sem ele não teríamos a noção de que a vida tem dimensões muito menores do que podemos observar. Não conheceríamos os microrganismos (portanto saberíamos muito pouco sobre várias doenças, por exemplo), não teríamos descoberto que todos os organismos vivos são formados pela mesma unidade funcional (a célula) e não teríamos passado a estudar essas unidades funcionais para entender como a vida funciona.

Sem microscópio não haveria biologia celular, nem bioquímica ou biologia molecular. A revolução dos estudos com DNA e outras moléculas que aconteceu no século 20 e vivemos hoje em dia nunca seria possível. Por isso considero o desenvolvimento do microscópio a peça fundamental no avanço dos estudos biológicos.

Não consigo evitar de, pelo menos de tempos em tempos, imaginar o que pode ter passado pela cabeça de Leeuwenhoek quando observou microrganismos pela primeira vez. O que vocês pensariam se de repente descobrissem o mundo que seus olhos percebem é apenas uma fração de tudo que compõe o mundo real?

Deve ser parecido com o que sentiríamos ao descobrir que a cena abaixo é possível… Lembro de ter pensado no vídeo abaixo muito tempo depois de tê-lo visto no cinema pela primeira vez.

O texto acima é um exercício de opinião. Concorda comigo ou tem algum outro avanço tecnológico que ache mais importante? Compartilhe nos comentários!

Referências:

Fara, P. (2009). A microscopic reality tale Nature, 459 (7247), 642-644 DOI: 10.1038/459642a

Hooke, R. Micrographia: or, Some physiological descriptions of minute bodies made by magnifying glasses. London: J. Martyn and J. Allestry, 1665.

 

Texto inspirado pelo livro “Pequenas Maravilhas: como os micróbios governam o mundo”, escrito por Idan Ben-Barak e publicado no Brasil pela Editora Zahar, que me enviou um exemplar.

O livro foi indicado em 2010 como o “Melhor livro científico para jovens” pela Associação Americana para o Progresso da Ciência e trata de alguns dos temas mais interessantes e curiosos relacionados a diferentes microorganismos que são, no final das contas, os verdadeiros “donos” do planeta Terra.

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Ensinando colesterol, (des)informação e defesa do consumidor!

Ensinando colesterol, (des)informação e defesa do consumidor!

Explicar química de macromoléculas pode ser um problema para os professores de Biologia. O assunto desperta pouco interesse na maioria dos alunos e, pensando nisso, compartilho duas experiências que uso para tentar fazer o estudo de pelo menos uma molécula mais interessante: o colesterol.

1. “Colesterol faz bem ou faz mal?”

A preocupação com a saúde fez com que as discussões sobre obesidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento ficassem tão importantes quanto campanhas para combater a subnutrição de países pobres. Assim, é comum a mídia trazer informações sobre os males relacionados ao colesterol, de modo que todos já ouvimos ou lemos alguma coisa sobre o assunto.

Aproveitando esse fato procuro iniciar o tema com uma pergunta simples: “Colesterol faz bem ou faz mal?”.

Praticamente todos respondem “Faz mal!”, dando a entender que a pergunta tem uma resposta óbvia. Por isso, quando eu respondo “quem falou?” ou “depende!”, a surpresa gerada serve de gancho para explicar a parte química do tema.

 

 

Estrutura do colesterol.

O colesterol tem fórmula molecular C27H45OH e faz parte dos esteróides, uma classe de lipídios que contém um arranjo específico de quatro anéis de átomos de carbono.

A figura ao lado foi retirada do site Cholesterol-and-health.com e é extremamente didática para explicar a estrutura da molécula:

  • A cor vermelha destaca o grupo polar hidroxila ( – OH), que caracteriza a molécula de colesterol como um álcool (de acordo com as funções orgânicas) e que fornece alguma solubilidade em água;
  • A cor verde mostra o arranjo de anéis de carbono específico conhecido como a “assinatura dos esteróides”;
  • A cor azul corresponde à cauda de hidrocarbonetos (moléculas formadas apenas por átomos de carbono e hidrogênio), fortemente apolar, ou seja, capaz de se dissolver em substâncias oleosas ou gordurosas, mas não em água.

Pensando na importância biológica do colesterol, vale lembrar que essa molécula tem papel fundamental na fluidez das membranas celulares animais e é precursora dos demais esteróides. Dentre as moléculas derivadas estão, o estradiol (hormônio sexual feminino), a testosterona (hormônio sexual masculino), e a vitamina D, todos de vital importância.

Conclusão: por mais que tenhamos nos acostumado a enxergar o colesterol como um dos grandes vilões nutricionais ele é essencial à vida, portanto associar automaticamente a molécula a problemas de saúde é um erro.

2. Como a publicidade pode se aproveitar da sua falta de informação?

Outra discussão sobre o colesterol diz respeito à propaganda. Ainda na faculdade reparei que no rótulo de uma lata de óleo que trazia em destaque a informação: “Sem colesterol, mais saudável!”.

Como sabemos que o colesterol não pode ser extraído de produtos de origem vegetal, qual é a ideia por trás disso? Simples: como poucas pessoas sabem que todo óleo vegetal é livre de colesterol, consumidores com menos instrução podem ser induzidos a comprar a marca “A” ou “B”.

Tempos depois, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o Manual de Orientação aos Consumidores (disponível no final desse texto). O documento esclarece que essa prática é proibida, como vemos no trecho abaixo:

 

Determinação da ANVISA sobre óleos vegetais.

 

 

Pensando em como os fabricantes de óleos podem “driblar” as normas da ANVISA, fui ao supermercado para verificar como isso acontecia. Todos os produtos traziam a informação “óleo sem colesterol, como todo óleo vegetal”, mas a disposição da informação era variável.

Dos 19 óleos vegetais à venda no mercado que visitei no começo de Julho deste ano, oito (42%) traziam o escrito “Sem colesterol*”, sendo que o símbolo * remetia a algum canto escondido do rótulo que continha o restante da frase (“como todo óleo vegetal”). Pensando criticamente, essas marcas estão ou não buscando vantagem sobre as demais, tentando parecer mais saudáveis?

A lição mais importante a ser discutida com os alunos é: conhecimento não é importante somente para passar de ano, ter boas notas e entrar em uma boa faculdade. É, antes de qualquer coisa, a principal proteção que as pessoas podem ter contra iniciativas como essa, que procuram tirar vantagem de consumidores desavisados.

Fontes e referências:

CAMPBELL, Neil et al. Biologia (8ª ed.), Porto Alegre: Artmed 2010. ISBN: 9788536322698

ALBERTS, Bruce et al. Biologia Molecular da Célula (4ª ed.), Porto Alegre: Artmed 2004. ISBN: 8536302720

Cholesterol-and-health.com

 

Manual de Orientação aos Consumidores (ANVISA)

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Alô, professores!

Alô, professores!

Hoje indico para vocês uma ótima fonte de conteúdo relacionado ao ensino de ciências. Em 2009 o Instituto Ciência Hoje renovou seu portal online, que agora conta com blogs, podcasts e um espaço totalmente dedicado ao apoio à educação.

A seção “Alô, Professor” é uma iniciativa voltada ao diálogo com professores de ciências dos ensinos fundamental e médio e agrega notícias, dicas de atividades e experimentos para uso em sala.

Também são comuns entrevistas com pessoas engajadas em projetos de educação em Ciências que mantém blogs relacionados ao tema. Muita gente boa já passou por ali, como o Luis Brudna (dos blogs Em Síntese e Tabela Periódica, sobre Química), a Tatiana Nahas (Ciência na Mídia), e Eli Vieira (Evolucionismo).

E, abaixo, foi a minha vez de conversar com o jornalista da Ciência Hoje Thiago Camelo sobre o Ciensinando e algumas ideias relacionadas à educação científica!

Clique na imagem e leia a entrevista completa na Ciência Hoje!

Confira uma conversa bem agradável que abordou a proposta do blog, a indicação de material didático alternativo e a crítica de temas atuais da mídia, como a “célula sintética”.

Agradeço novamente à equipe da Ciência Hoje Online pela chance de discutir e divulgar meu projeto!

E, claro, espero que todos gostem da entrevista!

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Muita teoria e pouca prática? Pense de novo!

Muita teoria e pouca prática? Pense de novo!

Afinal, quando existe uma teoria em Ciências? A resposta mais correta é: depende. Ao contrário do que se pensa, estabelecer uma teoria científica não é fácil.

O problema nesse caso é similar ao conceito de Pensamento Crítico: as palavras possuem significados diferentes na linguagem comum e na científica. No dia-a-dia a palavra teoria pode ser usada para representar uma suposição, ou seja, algo especulativo e sem demonstração experimental. Já para as Ciências experimentais como química e biologia afirmações ou opinião feitos sem experimentos que obedeçam às normas do Método Científico são chamados de hipóteses!

Watson e Holmes formulando HIPÓTESES!

O filme de Sherlock Holmes lançado em 2009 pelo ótimo Guy Ritchie contém um diálogo  que serve como exemplo de como deve funcionar a produção científica (tradução livre).

Enquanto andam pelas ruas, Dr. Watson, o parceiro de Holmes, conversa com o famoso detetive sobre alguns acontecimentos bizarros que havia presenciado durante sua participação na guerra:

Watson:
- Sabe, presenciei coisas na guerra que não pude explicar. Uma vez ouvi um homem prever acertadamente sua morte do número de balas ao local dos buracos de bala que o mataram. Você tem que admitir que uma explicação sobrenatural é possível ao menos em teoria.

Holmes então responde:
- Nunca teorize antes de ter dados. Invariavelmente você terminará distorcendo fatos para se encaixarem à teoria, ao invés de fazer com que as teorias sirvam aos fatos.

Uma hipótese é o ponto de partida para as teorias científicas e precisa de comprovações experimentais constantes que obedeçam ao Método Científico.

As hipóteses são perguntas ou suposições que orientam uma investigação com o objetivo de explicar um fato e prever suas consequências. Já as teorias são afirmações que sobrevivem ao tempo com apoio de uma grande quantidade de evidências, sendo considerada “provada” no meio científico.

Uma hipótese é analisada diversas vezes para ser considerada uma teoria.

O problema: como fora deste contexto teoria e hipótese podem assumir significado semelhante, linhas de pensamento não científicas podem usar uma linguagem aparentemente científica. Assim nascem as chamadas pseudociências.

Mais importante: a diferença entre uma hipótese e uma teoria científicas mostra que o conhecimento não é estático e inabalável. As teorias são sustentadas por testes que verificam sua validade, mas este cenário pode mudar se houver uma hipótese científica alternativa.

Se os testes determinarem que a hipótese alternativa aponta falhas na teoria vigente, começa a busca por uma teoria revisada e melhorada.

Assim caminha a Ciência.

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