No começo do ano peguei um exemplar de “O Guia Mangá de Biologia Molecular” da Novatec Editora e posso dizer que é um livro que cumpre metade do prometido:
“Se você precisa de uma revisão em biologia molecular ou simplesmente é fascinado pela ciência da vida, o Guia oferece uma introdução muito divertida e informativa.”
O livro revisa de modo bem simplificado os temas clássicos da Biologia Molecular contando a história de Ami e Rin, duas estudantes de faculdade completamente desinteressadas em Biologia. Após matarem as aulas da matéria durante o semestre elas são “convidadas” – a não ser que prefiram reprovar – a fazer um curso de recuperação no laboratório do seu professor, o Dr. Moro.
Como é uma história em quadrinhos, é claro que esse laboratório fica em uma ilha particular. Entendo o apelo desse tipo de cenário mas nunca vou conseguir me livrar do coquetel “cientista-ilha deserta/particular/Dr. Moreau”.
Aliás, se eu não conhecesse a história do livro, acharia que Dr. Moro fosse uma referência explícita ao Dr. Moreau, personagem do livro “A Ilha do Dr. Moreau”, um romance de ficção científica escrito no final do século 19 por H.G. Wells. Também existe um filme de 1996 com o grande – e na época ele já estava grande mesmo – Marlon Brando na pele do “cientista maluco” (estereótipo que desperta o ódio deste que vos escreve) que conduz várias experiências com engenharia genética (o conteúdo dos experimentos foi atualizado em termos de tecnologia para não ficar muito mais ridículo do que o resultado final). Imaginem o filme pelas imagens abaixo e terão uma ideia do resultado final…
Marlon Brando "traindo o movimento": momentos "concentração ao microscópio" (esq.), "quero ser Mumm-ha" (centro) e "chazinho vovó" (dir.). Um filme de qualidade ímpar, realmente.
Voltando ao Guia, Ami e Rin estudam e aprendem sobre a Biologia Molecular com o auxílio de um ambiente de realidade virtual que cuida dos eventuais “problemas de abstração” que existem quando se estuda/trabalha com moléculas invisíveis a olho nu. Imagine a emoção, após 2 semanas de trabalho, ao ver um micro tubo de reação com o seu querido DNA/RNA/proteína/carboidrato e descobrir que se algum engraçadinho trocá-lo por um tubo com água pura você só vai descobrir quando tudo o que fizer dali para frente der errado. Trabalhar com moléculas requer um pouco de fé no que você está fazendo e nas técnicas que usa, só assim para acreditar que as coisas estão dando certo.
Pensando nisso, o autor do livro criou um potente simulador de realidade virtual que faz com que as estudantes “enxerguem” as reações e moléculas que o Dr. Moro – ou seu assistente bonitão – esteja ensinando em determinado momento. Confesso que isso seria uma mão na roda gigante para professores de Biologia. Principalmente os que não sabem desenhar nem uma joaninha direito, como é o meu caso.
Outro ponto a favor é o formato. O mangá é objeto de lazer de vários estudantes atuais e possui muitos adeptos no Brasil. Escrever um livro didático mescle a linguagem dos quadrinhos com diálogos teóricos e momentos de texto normal destinado a aprofundar pontos importantes foi uma grande ideia, e por isso o autor está de parabéns! Uma amostra desses dois momentos do livro pode ser vista abaixo:
Dois exemplos da linguagem encontrada no Guia: quadrinhos e explicações detalhadas.
Finalmente, no começo escrevi que o livro cumpre parte do prometido pela editora. Isso vem do fato de o conteúdo ser simplificado demais mesmo para uma revisão, como é sugerido, o que acaba fazendo par com o próximo problema que encontrei: o direcionamento do livro.
Não entendi muito bem qual é o seu público-alvo. Eu gostaria muito que esse livro fosse indicado para estudantes de ensino médio, em que seria sim aliado em revisões. No entanto, o fato de as personagens estarem na faculdade foi confuso para mim, pois o conteúdo tem pouco apelo para quem curse Biologia ou algum curso da área de Biológicas ou Saúde em nível superior.
De qualquer modo, a leitura é ótima, os conceitos estão bem explicados e resumidos e a história, como qualquer mangá, é repleta daquele carrossel emocional e termina com uma reviravolta impressionante (juro que não esperava) que, apesar de forçada em termos técnicos, me cativou!
Como mencionei em outro post, 2011 foi escolhido como o Ano Internacional da Química (AIQ 2011) e a campanha brasileira é “Química para um mundo melhor”!
A última novidade é um ótimo vídeo que divulga a importância da Química, confiram abaixo!
Parte das festividades são atividades destinadas a melhorar a educação em Química de alunos, professores e do público em geral.
Uma das iniciativas é o projeto “A Química perto de você: experimentos de baixo custo para a sala de aula do ensino fundamental e médio”, uma apostila que descreve maneiras simples mas muito interessantes de os professores aproximarem os alunos dos conceitos discutidos em aula.
Além de estar disponível gratuitamente para download no portal da campanha, existe a promessa de que o MEC distribua 100 mil exemplares em DVD para escolas públicas!
Chegou ao final desse texto achando que escrevi pouco sobre as atividades propostas na primeira edição da apostila? Fique tranquilo, alguns dos experimentos aparecerão no blog muito em breve!
No final de 2010 fui procurado pela Editora Zahar para avaliar um de seus lançamentos na área de Ciências. Prontamente agradeci e topei o convite para minha primeira experiência nessa atividade.
Alguns dias depois estava em minhas mãos o título “Pequenas Maravilhas: como os micróbios governam o mundo”, e fiquei muito satisfeito pois era um dos títulos da minha lista de leitura!
Vou começar com o resumo mais curto possível: “Pequenas Maravilhas” é uma ótima pedida para quem está começando a se interessar por Ciência e para professores que queiram informação para aumentar o interesse dos alunos. Mesmo assim, acadêmicos que não trabalhem diretamente com microrganismos conseguirão diversão e conteúdo numa leitura leve, bem estruturada e direta.
O livro foi premiado pela Associação Americana para o Progresso da Ciência como o “Melhor livro científico para jovens” de 2010. Talvez o grande mérito para essa vitória seja o cuidado do autor em transmitir uma variedade enorme de conteúdo sobre os microrganismos do modo mais simples e direto possível.
Percebi esse cuidado logo no 3° parágrafo do 1° capítulo, quando o mesmo transcreve parte da narração de uma partida de golfe (“golfe?!”, sim, golfe). Ao confessar sua ignorância no esporte e assumir não entender o acontecimento narrado no jogo (“foi bom?”, “foi ruim?”, “quem está melhor na partida?”, etc.), estava lançada a ideia fundamental que me fez criar o Ciensinando:
“… se você quiser realmente compreender um assunto, vai ter que falar um pouco da língua e entender algumas das regras, caso contrário vai morrer de tédio, sem entender nada do que está acontecendo.”
A frase acima é o ponto fundamental na divulgação de ciência. Temos muita gente excelente escrevendo sobre o assunto, mas por vezes a lacuna de conhecimento entre autores e leitures é tão grande que a mensagem é pouco absorvida e o público em geral a classifica simplesmente como “chata, desinteressante, longe do mundo em que eu vivo”.
E esse problema é real independentemente do autor. Sem o devido cuidado, mesmo jornalistas treinados podem cometer erros de tradução, interpretação ou de simplificação excessiva, transmitindo erros de conceito. Quando a divulgação é feita por cientistas, professores e blogueiros da área, o problema é o contrário: a dificuldade em transmitir o conhecimento contido ali sem usar muitos termos específicos (conhecidos como jargões), que, como os alunos dizem em aula, deixam todos que não conhecem o assunto “boiando”.
Aqui está o trunfo do livro e algo em que acredito e tento aplicar em todas as minhas aulas: a noção clara de que o ensino é uma via de mão dupla. A simplificação de termos complicados por professores, cientistas, jornalistas e etc. é essencial para atingir o maior número de pessoas possível, mas existe um mínimo de conhecimento sobre o “bê-a-bá” científico que o público precisa conhecer para não ocorrer o problema da “barreira do jargão”.
Na minha opinião, a responsabilidade de eliminar essa barreira é de quem transmite a mensagem. É algo que muitas vezes toma o foco principal em minhas aulas e o único motivo de eu ter começado a escrever este espaço.
E o conteúdo do livro?
Várias características fascinantes dos microrganismos estão lá. A importância da Escherichia coli para a Biologia Molecular, micróbios capazes se reproduzir a mais de 100°C, de sobreviver a 130°C e de nadar numa velocidade equivalente à de um homem nadando três piscinas olímpicas por segundo (!!!) são apenas alguns dos casos do livro. Alguns deles, adianto, aparecerão por aqui em breve!
Ao invés de se preocupar com as doenças horríveis que alguns desses microrganismos podem ocasionar, o foco está na grande diversidade de formas, mecanismos de sobrevivência e de interação com o ambiente que esses “bichinhos” podem ter. Sem dúvida é uma ótima forma de homenagear quem já habita a Terra a 3,8 bilhões de anos mas só foi notado pelos homens no século 17!
Nesse ponto só posso parabenizar o autor, Idan Ben-Barak, pela qualidade e simplicidade do texto, e a Editora Zahar, que trouxe o título para um país que, apesar de melhorar a cada ano, ainda possui uma certa carência de publicações científicas dirigidas ao grande público.
Espero que esse tipo de lançamento literário ocorra cada vez mais!
Um dos melhores momentos das muitas de aulas de Inglês que fiz na adolescência era quando os professores traziam ou pediam para trazermos músicas para a aula. Era um modo de treinarmos os ouvidos e nos acostumarmos a ouvir o “Inglês sujo”, como alguns deles diziam, ao invés de um monte de atores pagos para falar calma e pausadamente nas fitinhas cassete (sim, sou meio velho) e CDs dos cursos de línguas.
Tá certo que de vez em quando eu precisava aguentar Shakira, Double You ou sei lá mais o que, mas na época eu dava o troco com Iron Maiden, Pantera e cia. Era divertido tentar entender a gritaria no meio de tanto barulho de guitarra, bateria, etc… Pensando nisso, sugiro duas músicas que trazem bastante conteúdo científico e que podem gerar ótimas discussões em qualquer sala de aula:
“Do the evolution” (Pearl Jam): Essa é manjada, mas a animação e a letra que dão uma visão pessimista do desenvolvimento humano abrem as portas para uma discussão que pode começar no próprio conceito de Evolução Biológica e terminar com um “mas o que diabos estamos fazendo da nossa vida?!”
Cenas de "Do the evolution" (Pearl Jam; à esquerda) e a capa de "Right here, right now" (Fatboy Slim, a direita). Infelizmente os vídeos não estão com incorporação habilitada, acesse o YouTube pelos links e aumente o som!
“Right here, right now” (Fatboy Slim): Aqui é o vídeo que contém toda a informação necessária para os alunos. Evolução biológica e o desenvolvimento humano (biológico e comportamental) são mostrados de modo irreverente e bastante crítico. Para o caso de haver alguma dúvida, a camiseta do gordinho na capa diz “Sou o número 1, prá que tentar fazer melhor?”, um soco direto na crença de que nós, humanos, somos a última palavra em evolução biológica das espécies.
Pensando nisso, você conhece a Univesp? Trata-se da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, que acabou de lançar uma revista digital para o estudante pré-universitário chamada Pré-Univesp.
Se você for fazer vestibular, a revista é feita especialmente para você. A ideia é trazer conteúdo temático com foco nos assuntos atuais presentes no currículo do ensino médio e nas questões de vestibulares. A revista traz informações diárias para quem pretende ingressar na universidade na Seção de Notícias e na Agenda Cultural.
O acesso ao conteúdo integral da revista é gratuito e você ainda pode cadastrar seu e-mail para ser avisado quando houver um novo número no ar (e você também pode fazer isso para receber as novidades do Ciensinando, clicando AQUI).
Abaixo coloquei um pequeno exemplo do conteúdo da revista: um infográfico que mostra como o corpo do jogador se comporta durante uma partida de futebol!
Atualmente vemos nas transmissões dos jogos de futebol que é normal os jogadores correrem aproximadamente 10 quilômetros numa única partida, mas você sabia que os seus batimentos cardíacos, que em repouso ficam entre 60 e 90 bpm (batidas por minuto), vão para 180 bpm e várias vezes ultrapassam os 200 batimentos?!
Clique na imagem para ter acesso às informações do gráfico!
Ficou interessado? Acesse o primeiro número da Pré-Univesp com o tema “Copa do Mundo” clicando AQUI!
Em tempo: a Universidade Virtual do Estado de São Paulo é uma iniciativa da Secretaria de Ensino Superior do Estado em parceria com a Unesp, a Unicamp, a USP e o Centro Paula Souza para expandir o ensino superior público no Estado de SP. Quer saber mais? Leia o livreto e acesse o site!
Agradecimentos ao Luiz Bento pela indicação da revista. Você gosta de Ecologia? Acesse o blog Discutindo Ecologia e tenha em mãos uma excelente fonte de informações sobre o tema!