pensamento crítico

Informação ou fantasia?

Informação ou fantasia?

Recomendo a leitura de um texto que publiquei no blog RNAm, do qual sou co-autor.

Depois de uma dica que chegou por e-mail escrevi mais um texto que exemplifica a importância de sermos críticos com toda informação que recebemos. Também ilustra como mesmo quem tem acesso mais privilegiado à Educação não está a salvo de meter os pés pelas mãos no quesito Pensamento Crítico.

"Até quando as pessoas vão aceitar e repassar informação falsa sem perceber como é fácil descobrir o que é mentira? Santo Google!"

O conteúdo do texto serve como um guia rápido para se filtrar as bobagens presentes na internet e devem ser seguidas em qualquer leitura, conversa ou aula daqui em diante.

Garanto que vocês só têm a ganhar ; )

Cliquem no link “Cientistas derrubam a Lei da Gravidade! NOT!” e divirtam-se!

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O melhor professor que já tive

O melhor professor que já tive

O senhor Whitson ensinava ciências para a 6ª série. No primeiro dia de aula ele nos falou sobre uma criatura chamada cattywampus, um animal noturno extinto durante a Era do Gelo. Ele passou para os alunos um crânio enquanto falava. Todos nós fizemos anotações e depois respondemos a um teste sobre a aula.

Quando recebi a prova corrigida fiquei surpreso. Havia um grande e vermelho X em todas as minhas respostas. Eu havia falhado. Devia haver algum engano! Eu havia escrito exatamente o que o professor Whitson havia dito na aula. Então percebi que todos na classe haviam falhado. O que havia acontecido?

Muito simples, o professor explicou. Ele havia inventado tudo o que falou sobre o cattywampus. Aquele animal nunca havia existido, ou seja, toda a informação em nossas anotações estava errada. Nós esperávamos crédito por respostas erradas?

Desnecessário dizer, nós ficamos revoltados. Que tipo de teste era esse e que tipo de professor ele era?

Nós deveríamos ter descoberto, o senhor Whitson disse. Afinal, equanto ele passava o crânio do cattywampus pela sala (que na verdade era o crânio de um gato), não estava afirmando que não havia sobrado nenhuma evidência do animal? Ele havia descrito sua incrível visão noturna, a cor de sua pelagem e muitos outros fatos que ele não poderia saber. Ele havia dado ao animal um nome ridículo e mesmo assim ninguém havia desconfiado. Os zeros em nossas provas iriam para a avaliação, ele disse. E eles foram.

O professor Whitson disse que esperava que aprendêssemos uma lição dessa experiência. Professores e livros didáticos não são infalíveis. Na verdade, ninguém é. Ele nos disse para nunca deixar nosso cérebro ficar desatento e a tomar satisfação sempre que pensássemos que ele ou qualquer livro estivessem errados.

Toda aula com o professor Whitson era uma aventura. Ainda posso lembrar de algumas aulas de ciências do começo até o final. Um dia ele nos disse que seu carro era um organismo vivo. Nós demoramos dois dias para bolar um argumento contrário que ele aceitasse. Ele não nos deixava sossegar até que houvéssemos provado não só que sabíamos o que era um organismo, mas também que tínhamos força para defender a verdade.

Nós levamos nosso recém-adquirido ceticismo para todas as nossas aulas. Isso causou problemas para os outros professores, que não estavam acostumados a serem desafiados. Nosso professor de história começava a falar sobre algum assunto e de repente alguém limpava a garganta com um “ram-ram” e dizia “cattywampus”.

Se alguém me pedisse uma proposta para solucionar os problemas de nossas escolas, ela seria o professor Whitson. Eu não fiz nenhuma grande descoberta científica, mas ele deu a mim e meus colegas de classe algo tão importante quanto: a coragem de olhar outra pessoa no olho e dizer que ela está errada. Ele também nos mostrou que você pode se divertir nesse processo.

Nem todo mundo vê valor nisso. Uma vez contei sobre o senhor Whitson a um professor de ensino fundamental, que ficou horrorizado. “Ele não devia ter enganado você assim”, disse.

Eu o olhei nos olhos e disse que ele estava errado.

 

O texto acima é um dos materiais mais interessantes que já vi sobre como o professor pode – e deve – ser o veículo de transformação de maior importância para os alunos. Sou da opinião que a proposta de ensino do prof. Whitson deve ser a pedra fundamental na formação de novos professores e na reciclagem dos veteranos, principalmente – mas não somente – nas disciplinas ligadas à Ciência.

Esse texto é uma tradução de um artigo de David Owen publicado no Reader´s Digest (Edição Asiática) em abril de 1992, extraído e disponibilizado na página do professor Aaron Tan Tuck Choy, da Universidade Nacional de Singapura. Chegou a mim via Twitter por um RT da @NatureNews dado por Leonardo Gedraite (@LeoGed).

O original pode ser acessado em http://www.comp.nus.edu.sg/~tantc/cattywampus.html.

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Ensinando colesterol, (des)informação e defesa do consumidor!

Ensinando colesterol, (des)informação e defesa do consumidor!

Explicar química de macromoléculas pode ser um problema para os professores de Biologia. O assunto desperta pouco interesse na maioria dos alunos e, pensando nisso, compartilho duas experiências que uso para tentar fazer o estudo de pelo menos uma molécula mais interessante: o colesterol.

1. “Colesterol faz bem ou faz mal?”

A preocupação com a saúde fez com que as discussões sobre obesidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento ficassem tão importantes quanto campanhas para combater a subnutrição de países pobres. Assim, é comum a mídia trazer informações sobre os males relacionados ao colesterol, de modo que todos já ouvimos ou lemos alguma coisa sobre o assunto.

Aproveitando esse fato procuro iniciar o tema com uma pergunta simples: “Colesterol faz bem ou faz mal?”.

Praticamente todos respondem “Faz mal!”, dando a entender que a pergunta tem uma resposta óbvia. Por isso, quando eu respondo “quem falou?” ou “depende!”, a surpresa gerada serve de gancho para explicar a parte química do tema.

 

 

Estrutura do colesterol.

O colesterol tem fórmula molecular C27H45OH e faz parte dos esteróides, uma classe de lipídios que contém um arranjo específico de quatro anéis de átomos de carbono.

A figura ao lado foi retirada do site Cholesterol-and-health.com e é extremamente didática para explicar a estrutura da molécula:

  • A cor vermelha destaca o grupo polar hidroxila ( – OH), que caracteriza a molécula de colesterol como um álcool (de acordo com as funções orgânicas) e que fornece alguma solubilidade em água;
  • A cor verde mostra o arranjo de anéis de carbono específico conhecido como a “assinatura dos esteróides”;
  • A cor azul corresponde à cauda de hidrocarbonetos (moléculas formadas apenas por átomos de carbono e hidrogênio), fortemente apolar, ou seja, capaz de se dissolver em substâncias oleosas ou gordurosas, mas não em água.

Pensando na importância biológica do colesterol, vale lembrar que essa molécula tem papel fundamental na fluidez das membranas celulares animais e é precursora dos demais esteróides. Dentre as moléculas derivadas estão, o estradiol (hormônio sexual feminino), a testosterona (hormônio sexual masculino), e a vitamina D, todos de vital importância.

Conclusão: por mais que tenhamos nos acostumado a enxergar o colesterol como um dos grandes vilões nutricionais ele é essencial à vida, portanto associar automaticamente a molécula a problemas de saúde é um erro.

2. Como a publicidade pode se aproveitar da sua falta de informação?

Outra discussão sobre o colesterol diz respeito à propaganda. Ainda na faculdade reparei que no rótulo de uma lata de óleo que trazia em destaque a informação: “Sem colesterol, mais saudável!”.

Como sabemos que o colesterol não pode ser extraído de produtos de origem vegetal, qual é a ideia por trás disso? Simples: como poucas pessoas sabem que todo óleo vegetal é livre de colesterol, consumidores com menos instrução podem ser induzidos a comprar a marca “A” ou “B”.

Tempos depois, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou o Manual de Orientação aos Consumidores (disponível no final desse texto). O documento esclarece que essa prática é proibida, como vemos no trecho abaixo:

 

Determinação da ANVISA sobre óleos vegetais.

 

 

Pensando em como os fabricantes de óleos podem “driblar” as normas da ANVISA, fui ao supermercado para verificar como isso acontecia. Todos os produtos traziam a informação “óleo sem colesterol, como todo óleo vegetal”, mas a disposição da informação era variável.

Dos 19 óleos vegetais à venda no mercado que visitei no começo de Julho deste ano, oito (42%) traziam o escrito “Sem colesterol*”, sendo que o símbolo * remetia a algum canto escondido do rótulo que continha o restante da frase (“como todo óleo vegetal”). Pensando criticamente, essas marcas estão ou não buscando vantagem sobre as demais, tentando parecer mais saudáveis?

A lição mais importante a ser discutida com os alunos é: conhecimento não é importante somente para passar de ano, ter boas notas e entrar em uma boa faculdade. É, antes de qualquer coisa, a principal proteção que as pessoas podem ter contra iniciativas como essa, que procuram tirar vantagem de consumidores desavisados.

Fontes e referências:

CAMPBELL, Neil et al. Biologia (8ª ed.), Porto Alegre: Artmed 2010. ISBN: 9788536322698

ALBERTS, Bruce et al. Biologia Molecular da Célula (4ª ed.), Porto Alegre: Artmed 2004. ISBN: 8536302720

Cholesterol-and-health.com

 

Manual de Orientação aos Consumidores (ANVISA)

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Sobre galinhas e ovos (ou “Como espalhar um erro”)

Sobre galinhas e ovos (ou “Como espalhar um erro”)

Todo mundo já ouviu a pergunta “Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”, certo? Essa brincadeira foi muito comentada no começo de Julho, quando anunciaram que pesquisadores ingleses haviam encontrado provas de que a galinha seria anterior ao ovo.

No entanto, ao ler o trabalho descobri que o mesmo nunca mencionou o assunto! Assim, antes que o tema chegue à sala de aula por professores ou por algum aluno mal-intencionado querendo “pegar o professor de surpresa”, tentarei acabar com a polêmica.

Sobre a pesquisa científica comentada em todas as notícias:

ResearchBlogging.org

O artigo que criou a confusão é sobre uma molécula chamada ovocleidina-17 (ou OC-17), parte de uma família de proteínas capazes de ligar íons cálcio (Ca2+). Nas aves essas proteínas controlam a taxa de cristalização do carbonato de cálcio que compõe a casca do ovo, e foi isso que os cientistas descobriram: o modo de funcionamento da OC-17 na formação da casca de um ovo de galinha.

Pesquisadores ingleses mostrando o modelo da OC-17, presente na casca do ovo.

Apesar disso, há proteínas de função parecida em animais que existem há mais tempo do que as galinhas, ou seja, existem várias proteínas utilizadas na formação da casca de ovos de animais, e “botar ovos” não é um resultado exclusivo da presença da proteína OC-17.

Mas de onde surgiu a relação desse estudo com a famosa pergunta “quem veio primeiro…”?

A “culpada” foi a própria comunicação da Universidade Warmick, onde a pesquisa foi desenvolvida.

O anúncio afirma que “o trabalho também pode dar uma resposta parcial para a antiga questão”, e o erro foi reproduzido por todos os veículos que a divulgaram, como aconteceu com o portal Veja.com.

O artigo científico não tem nenhuma linha de texto que trate da questão. Até o comunicado da universidade contém uma atualização em que um dos autores comenta que “a questão é irrelevante, e a importância do trabalho está na demonstração de um método rápido e eficiente de cristalização que pode ter aplicações tecnológicas importantes”.

Sobre a pergunta “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”:

Ovo ou galinha, eis a questão!

  1. Pegadinha de Biologia: o termo “ovo” pode ser usado para denominar qualquer zigoto; para quem não lembrar, o zigoto é a célula que resulta da união dos gametas masculino e feminino (o espermatozóide do pai e do óvulo da mãe). Assim, qualquer um pode responder que “o ovo veio primeiro que a galinha”, se justificar que está considerando a palavra “ovo” como “zigoto”.
  2. O ovo é uma estrutura compartilhada por inúmeras espécies: um ovo é basicamente o embrião resultante da fecundação do óvulo e uma porção de vitelo que serve de alimento para esse mesmo embrião.
  3. Lembrem-se da evolução: peixes, anfíbios e répteis povoaram o planeta antes do que as aves, e todos eles botam ovos milhões de anos antes de as aves se desenvolverem.

O item 3 descreve outro ponto importante: os cientistas conseguiram demonstrar a atividade da OC-17 de galinhas, que têm como nome científico Gallus gallus domesticus. Qual é a importância disso?

Já sabemos que as aves não foram os primeiros animais a botarem ovos com casca. Mas além disso deve-se lembrar que a espécie estudada (a galinha comum) foi domesticada a aproximadamente 10 mil anos. Se esse tempo é pequeno em relação às primeiras aves, imagine a diferença se formos considerar os répteis, os primeiros a apresentar ovos com casca rígida?

O biólogo Thiago Henrique Santos escreveu um excelente texto sobre o tema no blog Polegar Opositor. Seu material foi de grande ajuda, então nada melhor do que encerrar com uma feliz afirmação que ele fez quando discutiu o tema:

“… ancestrais de répteis e de aves botaram os primeiros ovos com casca há 340 milhões de anos. Essa inovação permitiu a sobrevivência e a maturação de seus ovos em terra e o surgimento de vertebrados terrestres muito antes de o primeiro galo cantar”.

Depois dessa alguém ainda duvida de que o ovo veio primeiro do que a galinha?

Fontes e referências:

Freeman, C., Harding, J., Quigley, D., & Rodger, P. (2010). Structural Control of Crystal Nuclei by an Eggshell Protein Angewandte Chemie International Edition, 49 (30), 5135-5137 DOI: 10.1002/anie.201000679

University of Warmick (News & Events)Researchers apply computing power to crack egg shell problem.

Polegar OpositorO ovo ou a galinha?

Veja.comCientistas descobrem nova explicação para a velha pergunta: quem veio antes, o ovo ou a galinha?


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Vida sintética?

Vida sintética?

Esse texto sai um pouco da temática do Ciensinando pois trata de um assunto complexo sem antes discutir o conceito por trás da notícia. Apesar disso, é mais um exemplo de como devemos encarar de modo crítico toda a informação a que temos acesso.

O anúncio da criação da “primeira célula sintética” está sendo tratado como o grande acontecimento científico de 2010 (até agora).  Com isso, aconteceu o que eu esperava: a mídia recheou portais, jornais e programas de rádio com interpretações totalmente erradas sobre a ciência do trabalho.

Muitos encaram os resultados publicados na revista Science como o passo definitivo para a criação de vida artificial. Em teoria será possível criar organismos capazes de degradar óleo (minizando desastres ambientais), produzir biocombustíveis ou ainda captar grandes quantidades de dióxido de carbono (minizando o efeito estufa).

Minha pergunta é: podemos realmente entender que testemunhamos a criação de um organismo sintético? Após ler o artigo da Science e pensar sobre o que eu consideraria uma forma de vida artificial, minha resposta é um simples não.

Outras pessoas que eu considero igualmente competentes para tratar do assunto mostraram uma opinião similar à minha, como Rafael Soares (do RNAm), Roberto Takata (Gene Repórter) e Tatiana Nahas (Ciência na Mídia). Eles já abordaram as questões técnicas como eu faria aqui, então sugiro que ao final desse texto vocês acessem o blog de cada um deles para mais informações.

ResearchBlogging.org

Resumidamente, o que o trabalho publicado comunica é o resultado de vários estudos realizados para se conseguir sintetizar um genoma completo e transplantá-lo para uma célula “recipiente” de outra espécie de bactéria.

O genoma escolhido foi do organismo Mycoplasma mycoides (um dos menores conhecidos, com apenas 1 milhão de pares de bases) e o alvo do transplante foi o Mycoplasma capricolum, espécie muito próxima da M. mycoides.

O genoma foi “desenhado” em um programa de computador e construído por amplificações sucessivas de vários de seus pedaços. Estes foram “colados” até que, de pequenos fragmentos de 1000 (mil) pares de bases (as letrinhas – A, T, C e G – que simbolizam o DNA) os cientistas conseguissem fragmentos de 10000 (dez mil) e em seguida de 100000 (cem mil) bases. Esses fragmentos maiores foram então agregados, formando um genoma totalmente sintético.

O ponto importante: o genoma é artificial, mas e todo o conteúdo da célula que recebeu esse material genético?

A membrana da célula (membrana plasmática) e suas proteínas são tão importantes quanto o DNA para que a célula possa sobreviver e se multiplicar. Se houvesse um modo de retirar todo o conteúdo da célula e injetar somente o DNA sintético a mesma morreria, afinal, sem proteínas que acessem o DNA para produzir RNA e finalmente as proteínas celulares indispensáveis à vida não há como o “organismo sintético” manter-se vivo.

Desse modo, até termos competência para sintetizar uma membrana plasmática especializada como as biológicas e as proteínas necessárias para a fisiologia celular, não podemos considerar que exista qualquer organismo sintético.

Explicados meus motivos, entenderam minha implicância com os meios de comunicação? Minha motivação para escrever esse texto partiu de uma notícia que chegou até mim via twitter. Um vídeo publicado no TV UOL descaracterizou completamente uma matéria publicada pela BBC Brasil. Comparem os títulos:

BBC Brasil: Cientistas americanos criam célula com genoma sintético.

TV UOL: Cientistas criam 1ª forma de vida completamente artificial.

Além do título distorcido, a chamada para o vídeo é muito pior:

Cientistas americanos dizem ter desenvolvido a primeira forma de vida completamente artificial, a primeira célula controlada por um genoma sintético. O avanço já está sendo descrito como uma das conquistas científicas mais importantes da história da humanidade.

A informação está tão distorcida que parece ter sido feita de propósito. De qualquer modo, recomendo o vídeo da BBC Brasil (logo abaixo) por ter apresentado outra matéria sobre o assunto que considero ainda mais correta.

O título? “Cientistas transplantam genoma em novo ‘passo’ rumo à criação de vida sintética.” Isso sim é resumir de modo claro e correto os resultados do artigo publicado.

Links para as matérias comentadas: TV UOL, BBC Brasil 1 e BBC Brasil 2.

Textos indicados: Essa nossa vidinha sintética (RNAm), A bactéria sintética de Craig Venter (Ciência na Mídia) e Vida sintética e artificialismos (Gene Repórter).

Gibson, D., Glass, J., Lartigue, C., Noskov, V., Chuang, R., Algire, M., Benders, G., Montague, M., Ma, L., Moodie, M., Merryman, C., Vashee, S., Krishnakumar, R., Assad-Garcia, N., Andrews-Pfannkoch, C., Denisova, E., Young, L., Qi, Z., Segall-Shapiro, T., Calvey, C., Parmar, P., Hutchison, C., Smith, H., & Venter, J. (2010). Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome Science DOI: 10.1126/science.1190719

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Certo, errado, verdadeiro, falso

Certo, errado, verdadeiro, falso

Livros, jornais e revistas. Emissoras de TV e rádio com noticiários durante todo o dia. Google, Wikipedia, portais de notícias, blogs, Twitter, Orkut, Facebook, mais dezenas de e-mails que trazem anexos. E tudo isso é apenas parte dos canais que trazem informação de diferentes fontes.

Neste excesso, como separar a informação correta de todas as bobagens que circulam por aí?

O melhor modo é utilizar o pensamento crítico, uma das principais razões de o Ciensinando ter começado.

Pensar criticamente é compreender, avaliar e apresentar raciocínios e argumentos, pensando por si próprio.

O primeiro problema que afasta as pessoas desse conceito é a compreensão limitada das palavras crítico e crítica. Ambas têm vários sentidos, mas quase sempre crítico é aquele que aponta defeitos e faz análises negativas, e crítica é qualquer avaliação desfavorável. Esse desentendimento é resolvido com a consulta a um dicionário:

CRÍTICO
1. Que encerra crítica, análise, julgamento; que analisa (obra, atitude, evento) segundo certos critérios: Lançou-lhe um olhar crítico, analítico: um ensaio crítico sobre a obra.
2. Que é capaz de distinguir com competência o verdadeiro do falso, o bom do mau, etc.: Seu senso crítico o ajuda a tomar as decisões certas.
3. Que envolve perigo ou riscos: O navio passou por situação crítica em alto-mar.
4. Profissional que faz crítica literária, musical etc.: Os críticos elogiaram a peça.
5. Quem aponta defeitos, falhas etc.: Os críticos do governo foram severos.

Os dois primeiros itens resumem o sentido da palavra: “ser crítico” é saber analisar. Mas e a palavra “crítica”?

CRÍTICA
1. Análise para avaliação qualitativa de algo: Resolveu submeter os originais à crítica do amigo.
2. Atividade de apreciar e avaliar obra artística, científica, etc. (crítica literária, crítica musical)
3. O conjunto daqueles que exercem a crítica: A crítica foi unânime: todos elogiaram a obra.
4. (Popular) Avaliação desfavorável: Seu comportamento foi alvo da crítica de todos.

“Crítica” também é um meio de se analisar algo e não é necessariamente ruim. Logo, pensar criticamente é refletir sobre os argumentos e ideias apresentados em cada situação.

Fonte: Vestibular e Educação - G1

Exemplo: A questão ao lado, do ENADE 2009 (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), pedia que os alunos avaliassem críticas feitas pela imprensa ao presidente Lula. A pergunta foi anulada após muita polêmica na mídia, com a justificativa pelos organizadores de haver problemas de formulação no texto.

Agora responda: ao ler a questão e as respostas de cada alternativa, você acha que houve mesmo algum “problema de formulação na questão”? Ou os responsáveis pelo ENADE preferiram abafar o caso evitando uma discussão sobre propaganda política numa prova oficial?

Pensar criticamente traz uma vantagem: ao avaliar ideias e argumentos, dificilmente se é manipulado pela quantidade absurda de informação que encontramos todos os dias.

Não é uma tarefa fácil, mas sua prática constante é sem dúvida o melhor meio de se tornar consciente em relação ao mundo em que se vive.

E se ainda restou alguma dúvida, não se preocupem: esse é um texto introdutório e o pensamento crítico será um dos assuntos mais abordados nesse espaço. A riqueza de exemplos fará com que todos entendam como ele funciona e como usá-lo no dia a dia.

*Dica: uso o dicionário online Aulete, que já está de acordo com a nova ortografia. Acessem!

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