Tabela Periódica!
O início do estudo de Química traz um problema para alunos e professores: a horrível Tabela Periódica e suas várias regras, nomes e “decorebas”. Mas aprender sobre os elementos químicos precisa ser assim?
Primeiro: o que é a Tabela Periódica e desde quando esse pesadelo dos alunos existe?
A tabela é uma forma de classificar e comparar os diferentes elementos químicos. Desde que Lavoisier publicou em 1789 uma lista com 33 elementos agrupados em gases, metais, não metais e terrosos, outros químicos gastaram o próximo século buscando uma maneira de classificação mais precisa. Vários deles identificaram relações entre grupos pequenos de elementos, mas não conseguiram construir um sistema que organizasse todos os elementos descritos até o momento.
Foi então que Dimitri Mendeleev e Julius Lothar Meyer publicaram, em 1869 e 1870, suas tabelas periódicas. Eles as construíram de modo similar: listaram os elementos em ordem de número atômico e começando uma nova linha quando as características dos elementos começavam a repetir.
O sucesso da tabela de Mendeleev veio de duas decisões que ele tomou:
- Deixar lacunas quando parecia que o elemento correspondente não havia sido descoberto; isso foi feito de modo tão preciso que vários elementos químicos descobertos depois tinham seus lugares já reservados na tabela original.
- Ignorar a ordem sugerida pelos pesos atômicos para melhor classificá-los em famílias químicas.
Em 1923 o físico Henry Moseley identificou algumas inversões na ordem correta da Tabela Periódica e corrigiu um erro cometido por falta de conhecimento e tecnologia: os elementos devem ser ordenados por seu número atômico (o número de prótons em seu núcleo), e não por sua massa, como era costume.
Assim, a estrutura da tabela periódica demonstra propriedades químicas recorrentes (daí o nome “periódica”), sendo os elementos listados em ordem crescente de número atômico. Até Março de 2010, os antes 60 elementos da tabela organizada por Mendeleev eram 118.
Segundo: é preciso decorar os elementos e suas propriedades?
Nesse caso não há muito o que fazer. É muito bom que se conheça pelo menos os elementos mais comuns em exercícios e provas (como H, O, C, Na, Cl, S, P, K, F, etc.). Mas isso não quer dizer que o ensino e o estudo dos elementos químicos precise ser cansativo, atividades interessantes podem fazer com que se aprenda os elementos e suas propriedades sem precisar decorar o conteúdo dos livros!
Dica 1: melhor do que ler é VER!
Faz tempo que acompanho o blog Tabela Periódica, mantido pelo professor Luis Brudna. Nele você tem acesso a uma tabela interativa em que cada elemento possui uma página especial com suas características importantes.
“Ué, vou deixar de ler no livro para ler na internet? o que muda?!”
Acontece que o blog tem muita coisa diferente do que se vê nos livros e pode ser uma ótima ferramenta de estudos quando você começa a pensar em jogar seu livro didático pela janela (ou na cabeça do professor).
A coisa mais legal que se pode ver são os vídeos. Eles contém explicações sobre cada elemento e reações químicas interessantes. Algumas delas são um pouco explosivas, como a reação de um punhado de sódio metálico (Na) com água mostrada abaixo!
Com vídeos e curiosidades sobre cada elemento, o estudo das propriedades da tabela fica mais fácil!
Dica 2: por que não aprender Química num jogo entre os colegas de sala?
Estudar a tabela é sempre um desafio. Há dificuldade em entender propriedades periódicas, aperiódicas, como os elementos foram dispostos na tabela e como essas propriedades se relacionam na formação das substâncias.
Assim, um trabalho publicado na edição de Fevereiro de 2010 da revista Química Nova na Escola abordou o desenvolvimento e a aplicação de um jogo sobre a Tabela Periódica e suas propriedades para alunos de Ensino Fundamental e Médio.
O jogo foi desenvolvido baseado no jogo de cartas comercialmente existente chamado Super Trunfo®, e permitiu aos alunos tratarem o tema de maneira dinâmica. As comparações entre os elementos químicos durante o jogo ajudam a entender o posicionamento de cada elemento químico na Tabela Periódica, facilitanto o aprendizado duradouro.
O jogo discutido no artigo foi desenvolvido com 98 elementos químicos e trabalhou as seguintes propriedades: numero atômico, massa atômica, ponto de ebulição, ponto de fusão, densidade, eletronegatividade e configuração eletrônica. Claro que isso não é obrigatório, cada um pode desenvolver o seu jogo pensando nas maiores dificuldades dos seus alunos!
A produção das cartas é muito simples e uma dica é fazer isso em conjunto com os alunos, para que a atividade seja interessantes desde sua criação. Com cartolina, régua, tesoura, canetas e um livro didático, todas as cartas são preparadas e distribuídas em quantidades iguais entre os participantes.
O jogo é simples: se você for o primeiro a jogar, deve escolher uma carta e dizer qual informação quer confrontar com as cartas do adversário. Por exemplo: maior ponto de ebulição ou menor densidade. Quando o adversário escolher a carta que ele colocará em disputa, vocês devem colocar as cartas na mesa e comparar os valores. Quem tiver o valor mais alto ou mais baixo, ganha as cartas da mesa!
O objetivo da brincadeira é ficar com todas as cartas do adversário por meio dos confrontos de valores de cada elemento e, claro, aprender mais sobre cada elemento químico!
As regras e mais sobre o jogo podem ser acessadas no artigo listado abaixo.
Gostou das sugestões? Teste a iniciativa em sua sala de aula ou leve a ideia para o seu professor de Química!
Texto elaborado com base no artigo:
GODOI, T. A. de F.; de OLIVEIRA, H. P. M; CODOGNOTO, L. Tabela Periódica – Um Super Trunfo para Alunos do Ensino Fundamental e Médio. Química Nova na Escola, v.32, n.1, p. 22-25, 2010.
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