Posted by Gabriel Cunha on 19 mai 2011 in ciência, ensino, ensino de ciências, eventos, formação profissional | 1 comment
Como vocês sabem, estive na 40ª Reunião da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular.
Hoje compartilho a excelente discussão que aconteceu no Simpósio em Educação, para mim o ponto alto da SBBq 2011!
O Simpósio foi presidido pelo Prof. Dr. Jorge Guimarães, atual presidente da CAPES. Ele apontou que desde 2008 a CAPES atua na Educação Básica e destacou a criação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (o PIBID, que será comentado num outro post), que conta com 30 mil bolsistas. O Prof. Jorge comentou que “a pós-graduação será salva pela educação básica” e que “a pós-graduação passou por um processo de seleção ‘darwiniano’, aproveitando os melhores alunos de iniciação científica, graduação etc.”. Pelo que entendi essa declaração está relacionada ao pouco apelo que as carreiras em ciência e em docência têm atualmente, como os demais participantes comentaram em seguida.
O Prof. Giuseppe Pelegrini, da Universidade de Padova (Itália), falou em nome da iniciativa Observa – Science in Society, um centro de pesquisas focado na interação entre ciência, tecnologia e sociedade. Com o objetivo de estimular o diálogo entre pesquisadores, políticos e cidadãos, dentre suas atividades está auxiliar o projeto ROSE – The Relevance of Science Education (“Relevância sobre a Educação em Ciências”), que constitui uma rede de 42 países. Reservei um post para detalhar essas informações, mas os próximos parágrafos resumem alguns pontos de destaque.

Os estudantes sabem da importância de se estudar ciência, mas têm pouco interesse nos tópicos abordados. A maior curiosidade está relacionada às doenças (tratamento e prevenção), substâncias perigosas, astronomia e energias alternativas. Já a carreira científica não é atrativa para a maioria dos estudantes dos países da rede, que afirmaram preferir trabalhos que envolvam criatividade, independência, tempo para si, fama e sucesso.
A maioria dos entrevistados acredita nos benefícios da ciência e 50% que a mesma ajuda a desenvolver nações. No entanto, muitos acreditam que os benefícios que a ciência pode proporcionar não são maiores do que os efeitos adversos que podem surgir de seu desenvolvimento.
Quando perguntados sobre as pessoas-chave na escolha de uma carreira científica, responderam: bons professores, mãe/madrastas, pai/padrastos, orientadores vocacionais, irmãos ou parentes. Quando a questão foi sobre os fatores-chave que levariam a essa escolha: laboratórios nas escolas; escola secundária direcionada (técnica, vocacional etc.) e, novamente, bons professores.
Considerando esses achados não há discussão sobre o papel fundamental do professor no relacionamento dos estudantes tanto com as matérias de ciências como com a propensão dos alunos a seguirem uma carreira científica!
O segundo convidado foi o Prof. Justin Dillon, do King´s College of London (Inglaterra), que falou sobre o projeto Science Education: Interest, image and identity (Educação Científica: interesse, imagem e identidade). Ele reconheceu que existe “um problema mundial na educação, pois os alunos têm pouco interesse nas aulas de ciências devido à educação científica não evoluir ao longo do tempo”, e que a minoria dos alunos prefere as ciências em relação às outras matérias. Um ponto importante é o que países menos desenvolvidos têm alunos mais interessados na área científica, fato que o Prof. Dillon relacionou a os alunos perceberem a carreira em ciência como uma maneira de melhorar sua situação econômica e social.
Outro comentário interessante foi: “Somos muito bons em selecionar estudantes que não gostam de ciência, mas são muito bons na mesma! Onde estão os alunos interessados?”. Ele relacionou a mesma ao depoimento de um aluno:
“Quando tinha 13 anos comecei a aprender sobre moléculas e átomos e achei aquilo demais, tanto que cheguei em casa e logo fui contar à minha mãe! Mas daí no ano seguinte continuei aprendendo a mesma coisa, e depois a mesma coisa, e a mesma coisa… isso é tão repetitivo!”
Em seguida o Dillon comentou o relatório “Europe needs more scientists” (A Europa precisa de mais cientistas, de 2004), e que “deveríamos providenciar a educação científica não para formar novos cientistas, mas porque toda criança precisa ter na ciência algo familiar”. Após mostrar dados relatando que 28% dos alunos já pensam em se tornar cientista ou em carreiras científicas aos 11 anos, afirmou que os países europeus devem se certificar que os professores tenham a melhor formação possível e que a abordagem científica seja feita logo nos primeiros anos de estudo, com foco em acontecimentos naturais e foco prático.
Mais uma vez foram mostrados dados que afirmavam: os professores são as pessoas mais importantes em motivas os alunos a seguirem carreiras científicas! Segundo ele, o ideal é tornar a educação científica algo relacionado às respostas emocionais, abrindo o leque “testar, predizer, argumentar, experimentar”. Segundo ele, a diferença de foco de museus (o engajamento dos visitantes) e de escolas (transmitir o conteúdo) pode ser a explicação para o sucesso dos primeiros.
Quem encerrou as apresentações foi o Prof. Dr. Nélio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, com “Os jovens e a ciência – resultados preliminares do projeto ROSE – Brasil”. Os resultados de um estudo piloto comparando a percepção de aproximadamente 600 alunos das cidades de São Caetano do Sul (que possui alto IDH, é metropolitana e tem foco nos setores de serviços e industrial) e de Tangará da Serra (que apresenta problemas ambientais e constitui um pólo agroindustrial).
Tangará demonstrou mais interessados em empregos na área científica e alta tecnologia, ao contrário do que foi observado para os alunos de São Caetano do Sul. Foi uma repetição do padrão comentado pelo professor Pellegrini: a região menos desenvolvida teve mais alunos interessados em Ciências.
Outro fato curioso foi a melhor aderência ao projeto em centros pouco desenvolvidos. Parece ser comum acontecerem problemas em grandes centros urbanos, será que locais mais desenvolvidos têm tantas “preocupações” que não conseguem participar dessas iniciativas? Num estudo exploratório em duas escolas de SP houve desconforto da comunidade escolar com a aplicação do questionário. Professores sentiram-se pressionados em relação ao desempenho de seus alunos, enquanto os alunos acharam desestimulante a atividade não ser revertida em avaliações na escola (notas, ranking da escola etc.). Minha observação é de que tais observações apontam a nossa falta de cultura em relação à importância desses testes para diagnosticar problemas e melhorar as condições de ensino.
Ao abordar a questão “Quero ser um cientista”, o Prof. Bizzo mostrou-se surpreso e preocupado com a grande rejeição em todas as regiões do Brasil. Pensei que poderia haver um problema com a pergunta feita, pois acredito que perguntar sobre uma profissão específica traga resultados geralmente baixos. Comentei esse fato com o Prof. Dr. Bayardo Baptista Torres, de quem fui aluno de Bioquímica e que estava sentado ao meu lado: “qual seria o resultado de uma pergunta como ‘quero ser arquiteto, bancário, farmacêutico etc.’?”
O Prof. Bayardo concordou que o resultado “ruim” poderia ser uma diluição natural da aceitação de uma profissão, mas ressaltou que de qualquer modo a carreira científica não é percebida como atrativa pelas pessoas em geral. Para o Prof. Jorge Guimarães “a explicação de os estudantes não quererem ser cientistas está relacionada à má qualidade dos professores da educação básica”!

Ou melhoramos o ensino, ou as salas de aula de cursos científicos ficarão assim...
Minha opinião é que todos têm razão: são necessários grandes esforços para tornar da Ciência algo palatável, presente e “comum” para os cidadãos interessados ou não no tema. Algo que foi ao mesmo tempo preocupante e trouxe um pouco de alívio foi descobrir que esse é um problema mundial, e todos estão pensando em maneiras de resolvê-lo.
Espero ter muitos casos de sucesso para relatar por aqui!
O primeiro relato dessa viagem está em “Congressos científicos: o que são e por que são importantes?” Confiram também uma entrevista em “Confissões de uma estreante em congressos científicos”.
ps: peço desculpas pelo texto gigante, mas pensei que dividi-lo em partes seria pior e mais confuso.
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Posted by Gabriel Cunha on 5 mai 2011 in aprendizado, ciência, eventos | 3 comments
Antes de viajar comentei que aproveitaria a ocasião para escrever sobre congressos científicos, sua finalidade e importância. Também registrei que procuraria alunos que estivessem participando desse tipo de evento pela primeira vez para uma conversa sobre a experiência (link anterior AQUI). Este post é a primeira parte do material produzido durante a viagem, espero que gostem!
Essa semana participei da 40ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), que aconteceu em Foz do Iguaçu – PR. A Sociedade, fundada em 1967 para organizar encontros em que os pesquisadores pudessem trocar experiências e transmitir seus resultados, é atualmente um dos eventos mais tradicionais da comunidade científica brasileira.

Sobre congressos científicos e sua importância
Os congressos são reuniões técnicas ou científicas que envolvem profissionais, professores e estudantes de uma determinada área de conhecimento. Normalmente são eventos organizados pela Sociedade da área em questão (como a Sociedade Brasileira de Genética ou a Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular) e têm em sua programação conferências com especialistas, palestras, mesas-redondas sobre temas de destaque e apresentação de trabalhos técnicos/científicos desenvolvidos pelos participantes.

Minha participação na apresentação de trabalhos.
Na SBBq 2011 a programação científica foi dividida em:
- Conferências: um convidado importante do evento (geralmente um pesquisador de destaque em sua área) discorre sobre sua linha de pesquisa ou achados recentes.
- Simpósios: três ou quatro convidados ministram palestras curtas sobre um tema geral, o que sempre gera discussões boas e acesso a especialistas de difícil contato (pode-se conversar de uma vez com especialistas de outros estados ou do exterior).
- Apresentações de trabalhos: exposições dos trabalhos desenvolvidos pelos congressistas em que os autores são avaliados pela comissão e/ou explicam e respondem questões sobre seus resultados a outros congressistas interessados.
Participar de congressos é importante pelo contato com outros pesquisadores e pela possibilidade de se discutir trabalhos relacionados (ou concorrentes), colaborações ou assuntos que despertem nosso interesse.
Uma dica: a participação não é restrita a pesquisadores ou acadêmicos, professores e alunos que tenham interesse e curiosidade podem aproveitar a programação. Eu mesmo participei de um simpósio quando estava no 1º ou 2º ano do Ensino Médio (a memória falhou aqui): soube de um simpósio sobre a biologia de tubarões que aconteceria em minha cidade, me inscrevi e fui assistir às palestras. Foi muito bom, mesmo sem ter muita base teórica.
Portanto, congressos não muito específicos são uma alternativa de reciclagem e atualização para professores interessados. Alunos também podem aproveitar, geralmente essas reuniões possuem um ambiente legal de aprendizado e discussão que pode motivar muita gente!

Salão de exposição do congresso lotado de autores apresentando seus trabalhos e congressistas interessados em conversar sobre ciência.
Para finalizar, quero registrar os parabéns à comissão organizadora da SBBq pelo Simpósio em Educação, para mim o ponto alto do evento. Conversei com muita gente interessante sobre o assunto e consegui bastante material interessante que em breve estará disponível por aqui.
E não esqueçam dos nossos “marinheiros de primeira viagem”: vocês conhecerão esses personagens que estrearam nos congressos científicos nos próximos posts, aguardem!
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Posted by Gabriel Cunha on 19 abr 2011 in aprendizado, ensino, informe publicitário | 0 comments
Em um mundo cada vez mais conectado, em que a informação leva menos de uma fração de segundo para alcançar seu destino, a tecnologia torna-se cada vez mais relevante em nossas vidas. No ambiente de trabalho, nas salas de aula e mesmo nas horas vagas estamos cada vez mais plugados, independente de sermos nativos digitais. Cartões de banco e celulares possuem chips, carros são equipados por computadores de bordo e GPS, eletrodomésticos de última geração, como televisões e geladeiras, acessam a internet!
Os constantes avanços tecnológicos transformam o denominado “mundo virtual” na mais pura realidade dos tempos modernos. Esse novo cenário influencia o comportamento dos seres humanos e, por conseqüência, a evolução da sociedade, que precisa entender, no mínimo, os conceitos básicos do espaço cibernético, agora essenciais em praticamente todas as profissões e áreas do conhecimento.
Hoje é fundamental saber o elementar sobre informática. Nessa lista é possível incluir aplicativos como editores de texto, imagens e áudios, planilhas de cálculo e criadores de apresentações gráficas. Com a expansão e a popularização da internet, essa relação de itens necessários ganhou uma proporção gigantesca, abrangendo navegadores, buscadores e outras ferramentas disponíveis na rede.
Para não ficar de fora, atualmente existem diversas opções de Cursos Informática e Informação, com os mais variados níveis e preços, que se enquadram no bolso e na rotina dos interessados. Uma formação específica pode ampliar os horizontes por meio de novos instrumentos, auxiliar na conquista de uma posição melhor no universo corporativo e ajudar no relacionamento interpessoal.
Quem não se adequar a essa linguagem tecnológica dificilmente resistirá às próximas gerações. De acordo com uma pesquisa encomendada em 2010 pela Nokia e feita pelo instituto TNS, intitulada “Mais do que a tecnologia, é o que você faz com ela”, 59% dos 601 entrevistados utilizam a internet no expediente para relaxar, acessando portais e redes sociais, 62% também usam a internet no celular para resolver questões do trabalho e 95% acham que a internet e a tecnologia ajudaram na carreira.
Além disso, de acordo com a consultoria em recursos humanos Robert Half uma em cada cinco empresas utiliza a internet e as redes sociais para selecionar candidatos.
É fato que caneta, papel e pilhas de relatórios ou currículos estão sendo substituídos por ferramentas digitais. Como o mercado de trabalho é duro por si só, pare de perder tempo, aprenda a usá-las e invista em seu futuro agora!
Esse post é um publieditorial em parceria com o Portal EducaEdu, que possui centenas de opções de cursos interessantes para turbinar sua carreira!
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Posted by Gabriel Cunha on 27 jan 2011 in aprendizado, ensino, formação profissional, informe publicitário, resenhas | 0 comments
Se você é professor e quer melhores oportunidades de trabalho, voltar a estudar é uma das obrigações para consegui-las. Como a maioria dos professores têm seus dias lotados de compromissos, os Cursos Online são uma ótima opção para garantir que o pouco tempo livre no dia a dia seja bem aproveitado!
Para evoluir é preciso investir em si mesmo: melhorar a formação, atualizar conceitos, conhecer novos métodos de ensino e abordagens em sala de aula são alguns dos meios de se fazer isso. Ao mesmo tempo, novas mídias e tecnologias voltadas à aprendizagem podem ser adotadas pela escola em que trabalham, de modo que familiarizar-se com os novos rumos do ensino é um passo importante para se destacar.
Nesse ponto podemos apontar um problema fundamental para os professores: como conseguir tempo para estudar e manter-se atualizado sobre novidades que possam aparecer em uma melhor oportunidade ou no trabalho atual, se é preciso dar aulas em todos os horários possíveis para garantir a sobrevivência mensal?
Além dessa dificuldade comum a quase todos os professores brasileiros, onde cursos assim podem ser encontrados?
Perguntas como essa foram parte da inspiração para a criação do portal EducaEdu, que tem em um de seus objetivos garantir acesso facilitado a informações relacionadas ao investimento profissional.
Fundado em 2001 na Espanha e presente no Brasil desde 2008, essa iniciativa conta hoje com mais de 100 mil cursos cadastrados em 20 países que atendem todos os tipos de público em diferentes áreas de conhecimento.
Só no portal EducaEdu Brasil existem mais de 12 mil cursos tanto no país como no exterior. Trata-se de um espaço inteiramente direcionado para quem quer crescer profissionalmente renovando o currículo!
Por que não aproveitar para entender melhor e capacitar-se em relação à educação à distância, um processo em grande expansão no Brasil? Ou então dirigir sua atenção a processos pedagógicos e de organização curricular para no futuro abrir sua própria escola?
Essas são apenas algumas das possibilidades de cursos presentes no portal. Aproveite que muitas dessas opções estão a apenas um link de distância e dê o primeiro passo para uma carreira bem sucedida!
Esse texto é um publieditorial.
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