Posted by Gabriel Cunha on 19 jul 2011 in ciência, Ciensinando, ensino, ensino de ciências, História da Ciência, livro, resenhas | 0 comments
Chegou ao laboratório no dia 15/07/2011 (data de seu lançamento) o livro “A colher que desaparece”, gentilmente enviado pela Editora Zahar, que já está se tornando parceira desse blog! Por motivos médicos – fiquei de cama por causa de uma amidalite – só hoje o livro chegou às minhas mãos, e tenho curtido muito as surpresas que a Zahar tem me proporcionado (eles nunca avisam se vão mandar alguma coisa).
Dessa vez, no entanto, farei algo um pouco diferente da resenha. É óbvio que ainda não li o livro, mas estou terminando de ler “Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história”, lançado em 2006 também pela Zahar, que comprei no começo desse ano.

Como os dois títulos têm aspirações semelhantes, ou seja, a divulgação científica com foco em química, a ideia é fazer uma análise comparativa dos livros, além das individuais. Vocês saberão o que cada livro tem de bom, o que poderia ser melhor, e a minha indicação para o caso de você precisar escolher um dos dois. Sem esquecermos, claro, que leitura nunca é demais e que o que publicarei será a minha opinião, uns concordarão, outros não.
Enquanto em “Os botões…” os autores descrevem a influência da química na história da humanidade a partir da análise de 17 grupos de moléculas, em “A colher…” o foco é mais amplo, pois trata desde a descoberta dos elementos químicos, da estrutura do átomo e das histórias mais interessantes sobre os elementos da Tabela Periódica.
Se quiser saber um pouco de cada livro antes de ler as resenhas, acesse o site da Editora Zahar em:
Os botões de Napoleão – as 17 moléculas que mudaram a história
A colher que desaparece – e outras histórias reais de loucura, amor e morte a partir dos elementos químicos
Você já leu algum dos livros? Compartilhe sua opinião e impressões nos comentários!
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Posted by Gabriel Cunha on 12 jul 2011 in aprendizado, ensino, ensino de ciências, livro, material didatico, resenhas | 0 comments
No começo do ano peguei um exemplar de “O Guia Mangá de Biologia Molecular” da Novatec Editora e posso dizer que é um livro que cumpre metade do prometido:
“Se você precisa de uma revisão em biologia molecular ou simplesmente é fascinado pela ciência da vida, o Guia oferece uma introdução muito divertida e informativa.”
O livro revisa de modo bem simplificado os temas clássicos da Biologia Molecular contando a história de Ami e Rin, duas estudantes de faculdade completamente desinteressadas em Biologia. Após matarem as aulas da matéria durante o semestre elas são “convidadas” – a não ser que prefiram reprovar – a fazer um curso de recuperação no laboratório do seu professor, o Dr. Moro.
Como é uma história em quadrinhos, é claro que esse laboratório fica em uma ilha particular. Entendo o apelo desse tipo de cenário mas nunca vou conseguir me livrar do coquetel “cientista-ilha deserta/particular/Dr. Moreau”.
Aliás, se eu não conhecesse a história do livro, acharia que Dr. Moro fosse uma referência explícita ao Dr. Moreau, personagem do livro “A Ilha do Dr. Moreau”, um romance de ficção científica escrito no final do século 19 por H.G. Wells. Também existe um filme de 1996 com o grande – e na época ele já estava grande mesmo – Marlon Brando na pele do “cientista maluco” (estereótipo que desperta o ódio deste que vos escreve) que conduz várias experiências com engenharia genética (o conteúdo dos experimentos foi atualizado em termos de tecnologia para não ficar muito mais ridículo do que o resultado final). Imaginem o filme pelas imagens abaixo e terão uma ideia do resultado final…

Marlon Brando "traindo o movimento": momentos "concentração ao microscópio" (esq.), "quero ser Mumm-ha" (centro) e "chazinho vovó" (dir.). Um filme de qualidade ímpar, realmente.
Voltando ao Guia, Ami e Rin estudam e aprendem sobre a Biologia Molecular com o auxílio de um ambiente de realidade virtual que cuida dos eventuais “problemas de abstração” que existem quando se estuda/trabalha com moléculas invisíveis a olho nu. Imagine a emoção, após 2 semanas de trabalho, ao ver um micro tubo de reação com o seu querido DNA/RNA/proteína/carboidrato e descobrir que se algum engraçadinho trocá-lo por um tubo com água pura você só vai descobrir quando tudo o que fizer dali para frente der errado. Trabalhar com moléculas requer um pouco de fé no que você está fazendo e nas técnicas que usa, só assim para acreditar que as coisas estão dando certo.
Pensando nisso, o autor do livro criou um potente simulador de realidade virtual que faz com que as estudantes “enxerguem” as reações e moléculas que o Dr. Moro – ou seu assistente bonitão – esteja ensinando em determinado momento. Confesso que isso seria uma mão na roda gigante para professores de Biologia. Principalmente os que não sabem desenhar nem uma joaninha direito, como é o meu caso.
Outro ponto a favor é o formato. O mangá é objeto de lazer de vários estudantes atuais e possui muitos adeptos no Brasil. Escrever um livro didático mescle a linguagem dos quadrinhos com diálogos teóricos e momentos de texto normal destinado a aprofundar pontos importantes foi uma grande ideia, e por isso o autor está de parabéns! Uma amostra desses dois momentos do livro pode ser vista abaixo:

Dois exemplos da linguagem encontrada no Guia: quadrinhos e explicações detalhadas.
Finalmente, no começo escrevi que o livro cumpre parte do prometido pela editora. Isso vem do fato de o conteúdo ser simplificado demais mesmo para uma revisão, como é sugerido, o que acaba fazendo par com o próximo problema que encontrei: o direcionamento do livro.
Não entendi muito bem qual é o seu público-alvo. Eu gostaria muito que esse livro fosse indicado para estudantes de ensino médio, em que seria sim aliado em revisões. No entanto, o fato de as personagens estarem na faculdade foi confuso para mim, pois o conteúdo tem pouco apelo para quem curse Biologia ou algum curso da área de Biológicas ou Saúde em nível superior.
De qualquer modo, a leitura é ótima, os conceitos estão bem explicados e resumidos e a história, como qualquer mangá, é repleta daquele carrossel emocional e termina com uma reviravolta impressionante (juro que não esperava) que, apesar de forçada em termos técnicos, me cativou!
Quer outra opinião? Leia a resenha publicada pelo amigo e parceiro de blogs Igor Santos no 42. Acessem “Resenha: Guia Mangá de Biologia Molecular” e divirta-se com os comentários sobre o estilo mangá!
As imagens do livro foram retiradas do capítulo de exemplo disponibilizado no site da Novatec Editora em http://novatec.com.br/livros/mangabiologia/
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Posted by Gabriel Cunha on 3 abr 2011 in aprendizado, ciência, ensino, livro, resenhas | 4 comments
Foi uma grata surpresa receber da Editora Zahar o livro “O gênio em todos nós – Porque tudo o que você ouviu falar sobre genética, talento e QI está errado”, escrito pelo jornalista David Shenk.
Depois de pensar muito e esboçar vários começos para esse texto, resolvi esfriar a cabeça e resumir minha opinião: trata-se de um livro que deve ser lido por todos, sem exceção.
O motivo? Shenk faz uma bela defesa da habilidade humana e manda uma bomba para todos que defendem que nosso potencial é exclusivamente determinado pelo DNA, uma visão chamada de “determinismo genético”.
A frase chave do livro é:
“O talento não é algo em si mesmo, e sim um processo.”
Ao traçar perfis de gênios como Mozart e Michael Jordan, o autor deixa claro que é a busca pela excelência através de treinamento, estudo e dedicação quase obsessivos que causa o desenvolvimento de habilidades espantosas, indo de encontro ao paradigma vigente, no qual “seu DNA define suas qualidades e limitações”.
A argumentação do livro é baseada em uma enxurrada de evidências científicas sobre desenvolvimento cerebral e motor, talento, aprendizado e treinamento. Além disso, também discute novidades que a genética tem demonstrado, como o potencial de influência ambiental no comportamento dos nossos genes, um campo conhecido como Epigenética.
Confiram alguns trechos:
A ciência contemporânea sugere que poucas pessoas conhecem seus verdadeiros limites, e que a grande maioria delas não chega nem perto de utilizar o que os cientistas chamam de ‘potencial irrealizado’… A maior parte dos que possuem um desempenho abaixo da média muito provavelmente não é prisioneira de seu próprio DNA; essas pessoas têm sido apenas incapazes de alcançar seu verdadeiro potencial.
Seria um disparate afirmar que qualquer um pode literalmente fazer ou ser qualquer coisa, e esse tampouco é o objetico desde livro. Porém, a ciência contemporânea nos diz que é igualmente absurdo pensar que a mediocridade é inata à maioria das pessoas, ou que nós podemos saber quais são nossos verdadeiros limites antes de empregarmos nossa vasta gama de recursos e investirmos grande quantidade de tempo nisso. Nossas habilidades não estão gravadas dede forma indelével em nossos genes. Elas são flexíveis e moldáveis, mesmo nas idades mais avançadas. Com humildade, esperança e determinação extraordinária, qualquer criança – de 8 a 80 anos – pode aspirar à grandeza.
O assunto é complexo e escreverei mais a respeito em breve. Por enquanto, fiquem com a mensagem principal: nós não somos “prisioneiros” de nosso DNA. Com treinamento e dedicação, todos podem buscar níveis de desempenho extraordinários, e saber como isso é apoiado pela ciência é um ótimo motivo para conhecer esse livro.
“O gênio em todos nós – Porque tudo que você ouviu falar sobre genética, talento e QI está errado” começou a ser vendido no dia 31/3 e eu considero leitura obrigatória principalmente para qualquer pessoa envolvida ou interessada nos processos de ensino e aprendizagem, não deixem de conferir!
Mais informações no site da Editora Zahar em http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1191
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Posted by Gabriel Cunha on 3 fev 2011 in aprendizado, ensino, resenhas | 7 comments
Recebi a indicação de uma ferramenta que, segundo os criadores, é “o primeiro buscador educativo online no Brasil desenvolvido especialmente para as crianças, com um ambiente lúdico, didático e interativo”.
Um anúncio desses chama a atenção e logo fui conferir o portal Zuggi, que tem apoio da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e do Governo Federal. A princípio gostei da ideia de um mecanismo de busca simplificado com uma tela inicial bastante agradável. Outro ponto positivo é cada resultado ser mostrado como uma imagem do site e sua respectiva descrição.

Página inicial do portal Zuggi.
Nem tudo são flores
Como um dos meus objetivos é avaliar novidades na área de ensino, fui verificar o que é anunciado como uma das maiores qualidades do Zuggi: os filtros para conteúdo inadequado para crianças, que prometem ajudar pais e professores a diminuírem a exposição dos pequenos na internet.
Segundo o próprio site:
Todo conteúdo pesquisado pela criança passa por um filtro de termos inadequados, bloqueando o acesso a conteúdos impróprios à idade da criança.
A preocupação em desenvolver filtros de conteúdo realmente existiu? Meu teste foi direto ao ponto que mais preocupa pais e professores: “sexo”.
Como esperado, a busca pelo termo “sexo” não foi autorizada pelo filtro, enquanto as buscas por “reprodução” e “reprodução humana” resultaram em várias páginas de conteúdo. A surpresa aconteceu quando dei continuidade ao teste e fui barrado no termo “reprodução sexuada”. Desconfiado, continuei as buscas e os resultados seguintes só certificaram o que eu já imaginava.
Vejam por si mesmos:
Infelizmente, o “filtro de conteúdo” não passa de um bloqueio comum para o termo “sex”. Mesmo uma busca por “reprodução assexuada” será barrada. Não há análise alguma do conteúdo da busca, mas somente da sequência das letras “S”, “E” e “X” juntas, o que é uma pena. Proteger as crianças de conteúdo inapropriado na internet é um propósito louvável, desde que seja feito de um jeito que não deixe informação importante e inocente inacessível aos alunos.
No final das contas, uma iniciativa com potencial para ser referência é apenas um bloqueio sem qualquer ponderação sobre a informação em si. Educação é mais que impedir o acesso à informação que possa ser prejudicial e o diálogo é parte fundamental para que as crianças aprendam a usar ferramentas como a internet.
O desafio agora é criar meios de proteger as crianças contra sites que contenham perigos como pornografia (infantil ou não), violência, condutas socialmente inaceitáveis etc. Isso, claro, sem privá-las de parte do conhecimento legítimo que a internet possui.
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Posted by Gabriel Cunha on 14 jan 2011 in ciência, ensino de ciências, livro, material didatico | 2 comments
No final de 2010 fui procurado pela Editora Zahar para avaliar um de seus lançamentos na área de Ciências. Prontamente agradeci e topei o convite para minha primeira experiência nessa atividade.
Alguns dias depois estava em minhas mãos o título “Pequenas Maravilhas: como os micróbios governam o mundo”, e fiquei muito satisfeito pois era um dos títulos da minha lista de leitura!
Vou começar com o resumo mais curto possível: “Pequenas Maravilhas” é uma ótima pedida para quem está começando a se interessar por Ciência e para professores que queiram informação para aumentar o interesse dos alunos. Mesmo assim, acadêmicos que não trabalhem diretamente com microrganismos conseguirão diversão e conteúdo numa leitura leve, bem estruturada e direta.
O livro foi premiado pela Associação Americana para o Progresso da Ciência como o “Melhor livro científico para jovens” de 2010. Talvez o grande mérito para essa vitória seja o cuidado do autor em transmitir uma variedade enorme de conteúdo sobre os microrganismos do modo mais simples e direto possível.
Percebi esse cuidado logo no 3° parágrafo do 1° capítulo, quando o mesmo transcreve parte da narração de uma partida de golfe (“golfe?!”, sim, golfe). Ao confessar sua ignorância no esporte e assumir não entender o acontecimento narrado no jogo (“foi bom?”, “foi ruim?”, “quem está melhor na partida?”, etc.), estava lançada a ideia fundamental que me fez criar o Ciensinando:
“… se você quiser realmente compreender um assunto, vai ter que falar um pouco da língua e entender algumas das regras, caso contrário vai morrer de tédio, sem entender nada do que está acontecendo.”
A frase acima é o ponto fundamental na divulgação de ciência. Temos muita gente excelente escrevendo sobre o assunto, mas por vezes a lacuna de conhecimento entre autores e leitures é tão grande que a mensagem é pouco absorvida e o público em geral a classifica simplesmente como “chata, desinteressante, longe do mundo em que eu vivo”.
E esse problema é real independentemente do autor. Sem o devido cuidado, mesmo jornalistas treinados podem cometer erros de tradução, interpretação ou de simplificação excessiva, transmitindo erros de conceito. Quando a divulgação é feita por cientistas, professores e blogueiros da área, o problema é o contrário: a dificuldade em transmitir o conhecimento contido ali sem usar muitos termos específicos (conhecidos como jargões), que, como os alunos dizem em aula, deixam todos que não conhecem o assunto “boiando”.
Aqui está o trunfo do livro e algo em que acredito e tento aplicar em todas as minhas aulas: a noção clara de que o ensino é uma via de mão dupla. A simplificação de termos complicados por professores, cientistas, jornalistas e etc. é essencial para atingir o maior número de pessoas possível, mas existe um mínimo de conhecimento sobre o “bê-a-bá” científico que o público precisa conhecer para não ocorrer o problema da “barreira do jargão”.
Na minha opinião, a responsabilidade de eliminar essa barreira é de quem transmite a mensagem. É algo que muitas vezes toma o foco principal em minhas aulas e o único motivo de eu ter começado a escrever este espaço.
E o conteúdo do livro?
Várias características fascinantes dos microrganismos estão lá. A importância da Escherichia coli para a Biologia Molecular, micróbios capazes se reproduzir a mais de 100°C, de sobreviver a 130°C e de nadar numa velocidade equivalente à de um homem nadando três piscinas olímpicas por segundo (!!!) são apenas alguns dos casos do livro. Alguns deles, adianto, aparecerão por aqui em breve!
Ao invés de se preocupar com as doenças horríveis que alguns desses microrganismos podem ocasionar, o foco está na grande diversidade de formas, mecanismos de sobrevivência e de interação com o ambiente que esses “bichinhos” podem ter. Sem dúvida é uma ótima forma de homenagear quem já habita a Terra a 3,8 bilhões de anos mas só foi notado pelos homens no século 17!
Nesse ponto só posso parabenizar o autor, Idan Ben-Barak, pela qualidade e simplicidade do texto, e a Editora Zahar, que trouxe o título para um país que, apesar de melhorar a cada ano, ainda possui uma certa carência de publicações científicas dirigidas ao grande público.
Espero que esse tipo de lançamento literário ocorra cada vez mais!
Para mais informações e outros títulos acessem o site da Editora em http://www.zahar.com.br/default.asp
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